Em entrevista concedida à reportagem do DIÁRIO, ontem à tarde, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, criticou a exclusão do Grêmio da Copa do Brasil, em decisão do STJD como punição pelos insultos racistas da torcida ao goleiro Azenha, do Santos, em jogo realizado na semana passada.
Para Rebelo, a punição ao clube generaliza a responsabilidade pelo delito e representa uma falência da Justiça Desportiva. Punir no atacado, segundo ele, é uma maneira de não resolver o problema, pois obviamente o Grêmio não é responsável direto pelos incidentes. O bom senso diz também que o clube não tem como evitar que um aloprado qualquer saia ofendendo ou gritando insultos.
Está certo o ministro e a ironia da coisa é que o STJD consegue errar até quando, em tese, acerta. Para surpresa geral, o tribunal foi rápido em adotar uma posição enérgica em relação ao caso de racismo, o que é louvável, mas como sempre errou na dose do remédio.
Ao contrário do que faz supor a sentença, o Grêmio não chegou exatamente a ser punido. Foi mais um “me engana que eu gosto”, visto que o time gaúcho já estava praticamente eliminado da Copa do Brasil, após perder em casa por 2 a 0. A multa de R$ 50 mil também é risível para um incidente tão grave.
Quanto à culpa, o STJD perdeu a oportunidade de criminalizar os torcedores identificados pelos gestos ofensivos a Aranha. O estádio gremista dispõe de câmeras que capturam as imagens de qualquer setor de cadeiras e arquibancadas. Todos os que xingaram o goleiro deveriam ter sido enquadrados. O problema é que, se interpretasse dessa forma, o STJD perderia o protagonismo, pois a decisão teria que passar para o âmbito da Justiça comum. E os auditores, como se sabe, adoram notoriedade.
Em tempo: a entrevista com o ministro Aldo Rabelo será publicada na edição de domingo do DIÁRIO.
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