Transformar plenário de tribunal em campo de jogo já é uma excrescência típica do Brasil. E quando as muvucas judiciais se estendem indefinidamente a coisa atinge níveis inaceitáveis. O STJD perdeu ontem a chance de botar um fim na arrastada novela da Copa Verde, mas preferiu cozinhar o galo. O próprio presidente da Corte pediu vistas do processo, alegando complexidade no caso, deixando os torcedores ainda mais frustrados.
A título de recordação, o jogo aconteceu antes da Copa do Mundo. Em campo, vitória do Brasília por 2 a 1 nos 90 minutos e na decisão por penalidades. Como havia escalado quatro jogadores não registrados no BID, o time candango perdeu o título, que foi cassado pela Comissão Disciplinar do STJD e dado ao Papão por unanimidade (4 a 0). A CBF assumiu a responsabilidade pela não inclusão dos atletas no BID e, posteriormente, um mandado de segurança reformou essa decisão, mas a definição final ficaria por conta do Pleno do tribunal.
A sessão que decidiria a parada foi adiada inicialmente e ontem, quando tudo parecia se encaminhar para um desfecho, o resultado foi de novo adiado. Pode não ser (e provavelmente não é), mas parece embromação. Ou, em linguagem de tribunal, uma manobra para ganhar tempo e talvez alterar os rumos da votação.
É bom lembrar que, quando o julgamento foi interrompido, a votação estava empatada em 1 a 1. O relator havia votado favoravelmente ao pleito do Brasília, mas, depois da sessão, outro auditor antecipou voto favorável ao clube paraense. Ainda assim, restam seis votos a serem declarados na próxima sessão. Conforme prevê o Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBDJ), o caso será analisado na próxima sessão do Pleno, que ainda não tem data marcada.
Significa que o campeão da Copa Verde 2014 pode ser conhecido só no próximo ano, pois em dezembro o tribunal entra em recesso. O STJD tem apenas dois meses para acabar com esse suspense sem sentido. O estado de ânimo dos dirigentes brasilienses, animados com a paralisação do julgamento, em contraponto com o ar preocupado dos defensores bicolores dá a medida das incertezas deixadas pelo tribunal, que deveria primar por esclarecer pendências. A prática tem sido inteiramente diversa. Como Chacrinha, o STJD parece se esmerar em confundir, ao invés de explicar.
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