Uma importante e merecida vitória. Foi o que o Papão obteve sábado à tarde no Mangueirão. Com 2 a 1 no placar sobre um dos melhores times da Terceira Divisão, o acesso à Série B depende agora de um empate apenas. Empurrados por cerca de 30 mil pessoas (segundo melhor público do país no fim de semana), no primeiro tempo os bicolores atacaram menos do que podiam, respeitando excessivamente a qualidade de passe do visitante.
Para a segunda etapa, voltaram mais resolutos, com ânimo redobrado e alguma sorte também, pois ninguém é de ferro. Logo aos 4 minutos, Pikachu disparou um chute de longe encontrando pelo caminho um desatento zagueiro do Tupi. A bola carimbou a mão esquerda do defensor, já dentro da área, configurando a penalidade máxima.
Com categoria, o melhor jogador do Papão na partida foi lá e converteu. Sim, além do gol, Augusto Recife foi soberano naquele espaço reduzido e decisivo da meiúca, aonde os fortes prevalecem. Distribuiu passes, lançou os atacantes e parou jogadas no desarme ou com faltas necessárias. Pena que, em lance meio desnecessário, longe da zona de perigo, exagerou na força e ganhou um amarelo que barra sua presença no jogo da volta, sábado que vem. Baita prejuízo para o Papão.
Mas o jogo teve muito mais lucros que perdas para a equipe de Mazola Junior. A começar pelos gols que o Tupi desperdiçou antes dos 20 minutos do primeiro tempo, em contragolpes agudos. Um dos lances só não resultou em gol porque o centroavante quis tocar de letra e errou a passada, permitindo que Lombardi desviasse para escanteio.
Lucrativa também foi a participação de Ruan, um atacante que ainda não deslanchou desde que desembarcou em Belém. No sábado, porém, foi um dos mais participativos, buscando o jogo no meio-de-campo, brigando sempre pela recuperação da bola e responsável direto pelo gol da vitória. Apenas três minutos do gol de Augusto Recife, Ruan ganhou no tranco uma disputa pela direita e cruzou na medida para Bruno Veiga só empurrar para as redes.
A partir daí, o jogo ficou muito aberto e mais emocionante. De um lado, o Papão tinha a confiança e a empolgação da torcida para tentar o terceiro gol, que na prática pouco buscou. Do outro, o Tupi se enchia de brios e partiu para fazer o gol que lhe interessava.
Durante uns bons 15 minutos a parada ficou equilibrada, mas sem chances muito claras de parte a parte. Cansado, Augusto Recife foi substituído e Zé Antonio logo em seguida cometeu falta desclassificante, levando o vermelho e atrapalhando os planos de Mazola.
Aos 40 minutos, veio o castigo que os bicolores não mereciam e o prêmio pelo qual os mineiros tanto esperaram. Em mais um escanteio contra o Papão, o ataque do Tupi se aproveitou de uma das raras falhas do goleiro Douglas no jogo. Ele saiu para dar um soco na bola, mas desviou para o centro da área, justo onde estava Bruno Barros. Este só teve o trabalho de empurrar para o gol. A bola ainda passou entre várias pernas e foi beijar as redes.
Um gol capaz de esfriar comemoração, pois o Tupi conseguiu aquilo que os analistas chamam de melhor derrota, impondo ao Papão o que seria a pior vitória. Sabemos, porém, que as coisas não são bem assim. Toda vitória é positiva. O Papão venceu bem, fez por onde merecer o triunfo e larga na frente nesse mata-mata encarniçado com o Galo Carijó. Metade da missão já foi cumprida. Resta agora se cercar dos cuidados necessários (embora sem exagero) para arrancar em Juiz de Fora o empate salvador ou, quem sabe, uma vitória.
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