Um dia antes da grande eleição, uma decisão empolgante vai concentrar a atenção de pelo menos metade da população do Pará. O Papão, vencendo por 2 a 1, disputa com o Tupi-MG o segundo tempo do cruzamento de 180 minutos. A vantagem no placar é expressiva, pois permite ao representante paraense planejar uma estratégia cautelosa, mas que pode se transformar em ousadia a depender do andamento do jogo.
A cautela, por sinal, é um item importante em decisões como a de hoje. Os técnicos muitas vezes exageram nas preocupações defensivas e acabam, involuntariamente, submetendo suas equipes à pressão do adversário. Essa tentação costuma ser mais forte nos visitantes. Fecham-se com unhas e dentes, mas acabam por atrair o ataque inimigo para dentro de seu campo de defesa, com consequências geralmente desastrosas.
Mazola Junior é um técnico rodado, sabe muito bem dos limites de seu grupo de jogadores e tem se revelado um especialista em armar esquemas sólidos na marcação. Foi assim que conseguiu ser finalista em duas das competições que disputou no comando do Papão, o Campeonato Paraense e e a Copa Verde.
Com três zagueiros – Charles, Lombardi e Pablo –, Mazola pretende dar ainda mais força à retaguarda, pois terá pelo menos em quantidade um cinturão defensivo bem consistente. Como seus jogadores assimilam bem suas orientações quanto a combater e proteger a defesa, o setor de marcação do meio-de-campo tem importância decisiva na maneira de jogar do Papão.
Sem os titulares Augusto Recife e Zé Antonio, Mazola viu-se obrigado a apostar em Lenine e Ricardo Capanema. O dado positivo é que Capanema e Lenine têm treinado como dupla há algum tempo, o que elimina o problema do desentrosamento. Em relação a Recife e Zé Antonio, o prejuízo diz respeito muito mais ao primeiro, um bom passador e que assumiu papel de protagonista no time. Virou ponto de equilíbrio e responsável pela transição entre defesa e ataque.
Com Lenine, Mazola compensa um pouco a perda, pois o baiano é um volante que combate, mas sabe sair de seu campo. Capanema fica mais fixo. Para executar a ligação, segundo a escalação divulgada ainda na quinta-feira, o escolhido é Héverton.
Ainda às voltas com problemas físicos, Héverton não jogou bem contra o Tupi na primeira partida e acabou substituído por Marcos Paraná. A virtude maior do ex-meia-atacante da Portuguesa é a capacidade de finalização. Em várias ocasiões na temporada, Héverton surgiu como elemento surpresa, aproveitando espaços mínimos para se insinuar no ataque.
O ataque vai contar com Pikachu no papel de ala avançado pela direita, mais a dupla Bruno Veiga e Ruan. Mesmo com o pecado de se manter longe da área, os dois se movimentam muito e permitem variações de jogadas que podem casar bem com a velocidade de Pikachu.
Pelo que se viu no confronto inicial, Ruan vai atuar junto ao meio-campo, quase como um quarto homem no setor. É a partir dali que ele poderá ser lançado para manobras de contra-ataque. São projeções baseadas no histórico do Papão sob a direção de Mazola, mas nada impede que surpresas táticas venham a ocorrer.
Vale dizer que, há dois anos, quando o Papão conquistou o acesso à Série B, o técnico Lecheva abraçou uma tática ousada no segundo jogo contra o Macaé, lançando-se ao ataque nos primeiros 15 minutos. A estratégia intimidou o adversário e deu ao time paraense a confiança necessária para se impor em campo. É claro que a opção ofensiva naquela tarde foi possibilitada pela vantagem maior obtida no jogo de ida – 2 a 0 –, mas não deixou de ser uma corajosa atitude por parte do treinador.
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