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GERSON NOGUEIRA

Quem tem medo de Minowa?

De cara, para não gerar dúvidas, aviso logo que como desportista aprendi a valorizar sempre o resultado de campo. Abomino manobras de tapetão e assemelhados. Dito isto, entendo que o Remo dá um tiro no pé ao não oficializar a vitória de Pedro Minowa na pr

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De cara, para não gerar dúvidas, aviso logo que como desportista aprendi a valorizar sempre o resultado de campo. Abomino manobras de tapetão e assemelhados. Dito isto, entendo que o Remo dá um tiro no pé ao não oficializar a vitória de Pedro Minowa na primeira eleição direta da história do clube. Veterano de outras eleições, Minowa paga o preço de não pertencer à elite que domina o Remo há décadas.

É fato que se registraram falhas na condução do processo eleitoral. Assinaturas deixaram de ser colhidas, teve eleitor votando na urna errada. Nada flagrantemente desonesto ou premeditado. Na verdade, problemas gerados pela má preparação do ritual de votação.

No fim das contas, porém, a vitória do oposicionista Minowa – um candidato conhecida pela persistência – expressou o sentimento de protesto da maioria dos votantes, não diretamente contra o presidente Zeca Pirão, mas contra a longa crise do clube. Com o colégio eleitoral enriquecido pela inédita participação de grande contingente de sócios remidos, a insatisfação das ruas se refletiu diretamente nas urnas.

Ao contrário de outras eleições, cujos votantes eram as figuras de sempre, desta vez os rumos do pleito azulino foram definidos (em pelo menos 40% dos votos) por um contingente expressivo de eleitores que não participam diretamente da vida política do clube.

Quanto mais eleitores, mais democracia. Este é um princípio universal, consagrado em todos os regimes democráticos do mundo. Ocorre que a euforia gerada pela participação maior de votantes corre agora o sério risco de um recuo.

Os torcedores se manifestam nas redes sociais decepcionados com a anulação do pleito, conscientes de que contrariar a vontade das urnas é sempre um retrocesso. A comissão eleitoral da eleição teve seus motivos para optar pela decisão traumática, mas ficou a impressão de que faltou investir numa solução política negociada.

A conciliação de interesses, através da pacificação das correntes internas, seria o melhor caminho. Afinal, o futebol do Remo depende da definição eleitoral para ser estruturado com vistas à próxima temporada. Alguém deveria ter levantado a voz para mostrar com clareza e realismo o cenário que está se desenhando.

Quem garante, por exemplo, que o resultado da próxima eleição será respeitado pelos derrotados? Maus exemplos têm o condão de criar raízes. Como a virada de mesa do pleito de sábado foi bem sucedida, nada impede que nova manobra seja levado a cabo no dia 13 de dezembro.

Ainda existe o perigo de uma batalha judicial em torno da eleição anulada, o que pode fazer o clube mergulhar de vez na indefinição. Caso isso ocorra, ficará provado que o interesse pessoal se sobrepõe ao sentimento de respeito e dedicação à instituição. Uma pena.

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