Foi um duelo vibrante, como deve ser uma verdadeira decisão de campeonato. Um dos melhores jogos da temporada em Belém.
Emoção do começo ao fim. Basta dizer que o Papão esteve com o título nas mãos por quatro vezes (0 a 0, 1 a 0, 2 a 1 e 3 a 2) no jogo, mas o Macaé soube buscar o empate que lhe interessava. Ao Papão cabe valorizar a conquista do acesso, galardão mais importante até do que a taça de campeão.
Contra a aplicação bicolor, o time fluminense usou doses pontuais de eficiência, organização e valentia. O técnico Josué Teixeira parece ter estudado bem o Papão. Percebeu, como poucos nesta Série C, que Pikachu não pode dispor de um corredor aberto à sua frente.
Além de limitar os passos do mais talentoso jogador do Papão, adiantou seu meio-campo para reduzir a movimentação dos volantes paraenses. O expediente deu certo e duas belas chances foram criadas antes dos 15 minutos.
Com objetividade e o entusiasmo transmitido pelos 38 mil torcedores, o Papão conseguiu superar as dificuldades iniciais e aproveitou a única chance que teve no primeiro tempo. Aírton escapou pela esquerda, o lado mais desprotegido da zaga do Macaé, para cruzar no ponto futuro. A bola foi encontrar Zé Antonio. O cabeceio fulminante abriu o placar aos 17 minutos e deu a ilusão de que metade da batalha estava vencida.
O Macaé não se abalou. Errava poucos passes e envolvia seguidamente a marcação no meio-campo. Josué manteve a mesma distribuição de jogo e deu tempo ao tempo. O time mandou uma bola na trave, com Marquinhos, e perdeu um gol incrível com Juba, mas conseguiu empatar aos 44 minutos. Em cobrança de escanteio pela esquerda, João Carlos cabeceou para empatar.
Quando o jogo recomeçou no segundo tempo, a energia positiva do torcedor voltou a funcionar. O Paissandu avançou suas linhas e voltou a ficar em vantagem logo aos 7 minutos. Ruan trocou passes com Bruno Vieira e avançou até a área, de onde bateu forte e cruzado. Milton Rafael pulou atrasado e a bola entrou. O gol incendiou o Mangueirão.
Frio e calculista, fisicamente mais forte, o Macaé mantinha suas esperanças e seguia fazendo o seu jogo particular, de toques curtos e tentativas pelas extremas. Quando Mazola tirou Lenine e lançou Rômulo, o time ficou com apenas dois volantes. Josué não perdeu tempo: deslocou Diego para a meia-cancha, para ficar ao lado de Marquinhos. Acertou em cheio. Aos 13 minutos, em jogada de ambos, a bola foi à linha de fundo e depois cruzada para a finalização certeira de João Carlos.
Pela primeira vez o silêncio caiu sobre o estádio. A conquista do título estava ameaçada e Mazola botou Djalma no lugar de Ricardo Capanema, para aumentar o poder de fogo do time. E seria o próprio Rômulo o responsável por nova explosão da torcida no Mangueirão. Aos 23 minutos, em jogada de Pikachu pela direita, Rômulo recebeu o passe entre os zagueiros e tocou de letra, surpreendendo a todo mundo. Um golaço.
Ninguém se sentia tranquilo, apesar da vantagem. O jogo era tão tenso que qualquer coisa podia acontecer. E aconteceu. De repente, uma escapada rápida pela direita, envolvendo Juba, Marquinhos e Diego, pegou desprevenida a defesa paraense. Diego avançou livre e bateu rasteiro na saída de Paulo Rafael. A bola passou por baixo do goleiro, aos 33 minutos, decretando o empate em 3 a 3.
A partir daí, entregue ao desespero, o Papão lançou-se à frente. Mas a pressão era toda através de chutões e ligações diretas, facilitando o bloqueio da alta zaga do Macaé. As últimas oportunidades de gol pertenceram ao visitante, que quase marcou o quarto gol em cobrança de falta que acertou o travessão de Paulo Rafael, aos 47.
O empate foi justo, nas circunstâncias, e a conquista do Macaé é inquestionável. Depois do apito final, a torcida reconheceu os méritos do visitante, aplaudindo os campeões. Gesto que atesta a evolução do torcedor paraense.
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