Doeu menos porque a queda tinha acontecido há alguns meses, talvez até já no comecinho do Campeonato Brasileiro. Quando deixou de pagar os salários dos jogadores, por permitir que a receita fosse bloqueada judicialmente (caso inédito na história dos grandes clubes nacionais), a diretoria fez uma aposta inequívoca na irresponsabilidade.
Protagonista da mais desastrosa das gestões da história do clube, o presidente Maurício Assumpção daria o golpe definitivo rumo ao rebaixamento ao demitir quatro titulares logo depois da Copa do Mundo. A medida, extemporânea e injustificada, deixou o time sem opções para enfrentar os embates finais da competição.
Apesar de seguidas chances para permanecer na Série A, diante de adversários igualmente desqualificados, o Botafogo não tinha força de ataque e nem consistência defensiva. Estava à deriva e passou a acumular derrotas por puro vacilo, erros primários de marcação e cochilos dos beques.
Não havia como fechar a equação com fatores tão negativos. A queda veio e parece confirmar o plano maquiavélico de seu idealizador. Parece óbvio que o presidente pretendia mesmo deixar o clube na Segunda Divisão, com a visão tosca de deixar a terra arrasada para atrapalhar os passos do sucessor.
A única boa notícia da semana é, não por coincidência, o fim dos desmandos de Assumpção. O novo presidente, Carlos Eduardo, tem agora a missão e o desafio de soerguer o Botafogo. Um clube que é ao mesmo tempo agremiação e legenda do futebol mundial não pode permanecer no limbo. A Estrela Solitária precisa voltar a brilhar.
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