Depois de Roger Flores, o insuperável, não há hoje no país um representante da turma do chinelinho mais gabaritado que Valdívia, o chileno que reinventou o conceito de malandragem no futebol brazuca. É uma resposta àqueles que creem na superioridade nacional na arte da enganação.
Eternamente lesionado ou suspenso, nunca completou por inteiro um dos sete campeonatos brasileiros que disputou como jogador do Palmeiras. Com um dos maiores salários do país (cerca de R$ 550 mil), faz um jogo e passa em média dois fora.
Ontem, quando desembarcou do ônibus no estádio com a perna enfaixada e manquitolando, cravou a imagem marqueteira do sacrifício. Em campo, demonstrava extremo esforço, caprichando nas expressões de dor e sempre botando as mãos no lugar da contusão.
Na entrevista pós-jogo foi o mais celebrado pela normalmente empolgada mídia esportiva paulistana. Houve repórter que chegou a ressaltar “o amor à camisa” do Palmeiras por parte do meia-armador chileno. O próprio técnico Dorival Junior não poupou loas à Valdívia, agradecendo pela atitude “altamente profissional”.
Mais até do que jogadores que suaram a camisa de verdade na caótica campanha palmeirense, o Mago ganhou pontos com a torcida em meio à festa pela salvação, pela “demonstração de entrega”, e seguramente garantiu mais uma temporada de vida mansa no tradicional clube paulista.
E la nave va.
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