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GERSON NOGUEIRA

A purgação dos pecados

O Remo tem hoje mais que um desafio diante do Rio Branco acreano. Tem um ajuste de contas com seu torcedor. Precisa provar que os dois tropeços no Parazão foram meros acidentes de percurso, apesar das gravíssimas consequências. Em resumo, o time terá que

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O Remo tem hoje mais que um desafio diante do Rio Branco acreano. Tem um ajuste de contas com seu torcedor. Precisa provar que os dois tropeços no Parazão foram meros acidentes de percurso, apesar das gravíssimas consequências. Em resumo, o time terá que buscar superação para resgatar a confiança perdida. O torcedor, que alimentava esperanças de uma temporada auspiciosa, caiu na real em menos de quatro dias.

As derrotas para Parauapebas e Independente fizeram um estrago no front azulino. Desfizeram as projeções otimistas, trouxeram dúvida à ambição de conquista do bicampeonato estadual e comprometeram os planos de volta à Série D e possível acesso à Série C.

Alguns jogadores passaram a ficar sob a mira do torcedor. A lembrança da má jornada na Série D 2014 voltou com toda força, fazendo com que a torcida reviva erros primários cometidos em jogos contra Moto Clube, Guarani de Sobral e, principalmente, Brasiliense.

Nenhum setor está a salvo de críticas no Remo de hoje, a começar pelo gol, onde o veterano Fabiano já não conta com o mesmo prestígio de antes. Mas a defesa é alvo de todas as preocupações no Evandro Almeida. Jogadores considerados de bom nível, como Max e Rafael Andrade, passaram a ser questionados duramente.

Sem especialista na lateral direita, Zé Teodoro vinha improvisando por ali, o que desequilibrava também o meio, de onde Dadá era deslocado para suprir a carência. O problema será resolvido com a volta de Levy. No miolo da zaga, Ciro Sena estreia substituindo a Andrade.

No gol, sai Fabiano, desgastado com as duas derrotas. Camilo, indicado por Zé Teodoro, ganha uma chance. Na meia-cancha, o técnico lança Bismarck para formar dupla de armação com Eduardo Ramos. Fabrício foi deixado de lado, embora tenha atuado bem no Re-Pa. Para o ataque, Zé Teodoro mantém Roni e aposta suas fichas em Flávio Caça-Rato no lugar de Rafael Paty. Opta por dois velocistas, sem ter um homem para atuar na área.

A grande dúvida é quanto ao funcionamento do time com tantas modificações. Em favor do treinador, há o fato de que algo precisava ser feito para estancar a fase ruim.

Para piorar as coisas, o compromisso é contra o Rio Branco, time que costuma jogar bem como visitante. O Remo tem a responsabilidade de alcançar um bom resultado para brigar pela classificação na capital acreana. Uma tarefa que em outros tempos teria razoável grau de dificuldade hoje se tornou um obstáculo gigantesco.

As mudanças na equipe são menos importantes que o posicionamento e a atitude do time em campo. Afinal, o mesmo time que atuou bem contra o Paissandu sucumbiu frente ao Parauapebas, sem nada que justificasse tamanha queda de rendimento.

Em clima de instabilidade interna, com especulações sobre dispensa de jogadores e até renúncia de dirigente, o Remo vai a campo com um peso muito maior sobre as costas. Que ninguém se iluda: a crise que se esboçou na quarta-feira foi apenas sufocada temporariamente. Só uma resposta convincente hoje garante a reconciliação entre time e torcida.

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