Apesar das análises otimistas dos técnicos, tanto remistas quanto bicolores têm consciência de que o primeiro turno do Parazão está praticamente perdido. A esperança é mantida muito mais para consumo externo, mas os dois clubes já projetam o segundo turno e se preparam para entrar com força total na segunda metade do campeonato.
Os cálculos, por mais milagreiros e favoráveis, não escondem a dura realidade da dupla Re-Pa. Ambos estão na dependência de fazer bons resultados e torcer por tropeços dos adversários. No grupo A1, o Remo ainda nem pontuou e já está quase fora. Precisará vencer o São Francisco dentro do Barbalhão, tarefa das mais indigestas sob qualquer circunstância. Depois, terá que derrotar o Castanhal em Belém.
Isso tudo só valerá a pena se houver um vitorioso no confronto entre Independente e Parauapebas na rodada final. Ambos têm seis pontos ganhos. Caso haja um empate, resultado dos mais prováveis em face do equilíbrio entre as equipes, o Leão dará adeus ao primeiro turno, sem ir sequer à semifinal.
O Papão não tem horizonte mais tranquilo no grupo A2. Somou três pontos em seus três jogos e tem à sua frente o Cametá (já classificado) e o Tapajós, com 4 pontos. O próximo compromisso bicolor no turno será contra o Paragominas na rodada final. Estará eliminado antes disso se o Tapajós derrotar o Cametá na próxima quinta-feira.
O amigo Guerreiro, apaixonado por tabelas e projeções, confessou em conversa informal que não esperava começar tão cedo a fazer tantas contas sobre o futuro de Leão e Papão no campeonato. Os tropeços iniciais, embora previsíveis, praticamente selaram a sorte da dupla na primeira parte da disputa.
Nos dois lados da Almirante Barroso não cabe usar como desculpa a nova fórmula de disputa, mais enxuta e arriscada. Nos arraiais azulinos, ainda menos, pois partiu de lá a proposta de um campeonato com menos jogos e mais emoção. Mais do que a tabela, pesou contra ambos a dificuldade em montar times competitivos em curto espaço de tempo.
Já os interioranos trabalham com elencos, orçamentos e ambições menores, além de não conviverem com a cobrança que ronda os grandes da capital. Cametá, São Francisco, Paragominas e Independente preservaram uma base de atletas, acrescendo alguns poucos reforços. Castanhal, Parauapebas, Tapajós e Gavião vinham em atividade desde novembro na disputa das fases de acesso.
Note-se que a pré-temporada foi maior do que em temporadas recentes (durou o mês de janeiro), mas tanto Leão quanto Papão dedicaram muito esforço e tempo a buscar reforços, o que sempre retarda a construção das equipes. Muitos jogadores ainda estão se recondicionando, outros nem puderam estrear ainda.
Por tudo isso, o bom sendo recomenda que ambos priorizem a Copa Verde, sem perder de vista o Parazão, onde precisam pontuar para afastar qualquer risco de rebaixamento. Ao torcedor, resta acompanhar a festa do interior na decisão do primeiro turno do campeonato e esperar para cobrar mais de seus times no returno, quando deverão estar entrosados e prontos para se impor aos emergentes.
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