Uma das virtudes do futebol está no fato de ser sempre uma obra em aberto. Todos têm liberdade para analisar, criticar e fazer juízo de valor sobre jogadores e times. Por isso, raramente enganações prevalecem por muito tempo. É natural que algumas opiniões sejam divergentes sobre determinado atleta, mas no geral o senso comum acaba falando mais alto.
Vanderlei Luxemburgo, na entrevista após o jogo de despedida de Léo Moura no Flamengo, mostrou certa impaciência e disse que o clube não pode ficar eternamente a lamentar o adeus do lateral-direito. À parte o lado descortês da declaração, cabe entender melhor a posição do treinador.
Na penúltima passagem do técnico pelo Flamengo, quando Ronaldinho Gaúcho mandava prender e soltar por lá, alguns jogadores se juntaram ao veterano meia-atacante em campanha interna contra Luxemburgo, que acabaria demitido por força de seus conflitos com o grupo. Léo Moura era um dos melhores amigos de Gaúcho no clube.
Obviamente, o técnico jamais esqueceu a história e olha para a saída de Léo sem qualquer tristeza. Ex-jogador e torcedor rubro-negro, Luxemburgo tem a exata noção do papel do lateral na história do Flamengo, sabendo que ele jamais pode ser comparado a um Leandro, um Jorginho, por exemplo, para ficar somente em dois nomes recentes.
Como muita gente, o técnico deve imaginar que os rapapés e salamaleques são exagerados, embora funcionem como bom evento de marketing. Não está sozinho. Ontem mesmo, Leandro lamentava nunca ter sido lembrado para uma festa de despedida pelo clube. E olha que Leandro, comparado a Moura, merecia uma semana inteira de folguedos e fuzarcas sob o rufar dos tambores e queima de fogos.
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