O Corinthians é de novo o time mais badalado do país. Com méritos. Está invicto há vários jogos e esbanja vigor e organização tática. Lidera seu grupo na Libertadores, pintando como um dos favoritos ao título continental. Não por acaso, seu técnico é cultuado quase como gênio pela imprensa paulista.
Em seu já conhecido estilo teatral de dar entrevistas, Tite capricha na teorização, mas não descuida do preparo tático de sua equipe. Conseguiu em pouquíssimo tempo fazer com que seus jogadores incorporem uma disciplina tática incomum em boleiros brasileiros.
Lembra bastante aquele Corinthians que ele mesmo conduziu ao título do Mundial Interclubes contra o Chelsea. Todos jogam com ou sem a bola, participando intensamente das manobras de preparação e ataque. Chega a se dar ao luxo de escalar o meia-armador Danilo como centroavante, com sucesso. Sinal mais do que emblemático de que a engrenagem está azeitada.
O mais interessante dessa fase vitoriosa do Corinthians, mesmo que não se aprecie o estilo pragmático de Tite, é que pode finalmente estimular os demais técnicos do país a saírem das fórmulas fáceis e previsíveis, que fazem dos torneios e campeonatos nacionais um desfile de mesmices.
Mesmo que o Corinthians não consiga manter por muito tempo a vantagem sobre os concorrentes diretos, a contribuição que Tite vem dando é digna de aplausos, principalmente neste período pós-Copa. É o primeiro técnico a mostrar na prática que o futebol do Brasil precisa de criatividade tática para fugir ao lugar-comum dos cruzamentos sobre a área e à eterna dependência dos contra-ataques.
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