Será o terceiro Re-Pa da temporada. O primeiro, amistoso, terminou empatado. O segundo, pelo Parazão, teve domínio amplo do Papão. Desta vez, o jogo adquire caráter decisivo e registra a entrada em cena de um novo personagem, o técnico Cacaio, substituto de Zé Teodoro no Remo.
A rigor, os fatores que determinaram a superioridade alviceleste no domingo passado continuam todos de pé. O grande trunfo de Dado Cavalcanti é a qualidade e a variedade de seu elenco. Dispõe até de jogadores em excesso para algumas posições.
Além disso, apesar de ter começado a trabalhar há pouco mais de um mês, Dado já conseguiu formatar um time-base, que procura manter mesmo quando não satisfaz as expectativas. O técnico implantou um formato, que tem sido corretamente respeitado.
Nos primeiros jogos, houve uma natural instabilidade. O time alternou bons e maus momentos. Goleou o Nacional na Curuzu. Derrotou o Castanhal com dificuldades. Empatou com Águia Negra e Nacional. Perdeu para o Independente, mas venceu o clássico e passou com tranquilidade pelo Águia Negra.
A impressão é de que a fase mais problemática já foi superada e o time começa a ter mais confiança em suas próprias forças, assimilando plenamente as orientações do treinador. As duas últimas apresentações refletem isso.
Do lado remista, cujos aperreios vão além das questões de campo, Cacaio teve pouquíssimo tempo para operar transformações. Ainda assim, depois de apenas dois treinos, deu à equipe um dinamismo que ainda não havia aparecido na temporada.
Contra o Atlético-PR, na quinta-feira, o Remo foi rápido, objetivo e compacto na maior parte do tempo. Até mesmo as deficiências acabaram disfarçadas pelo esforço geral da tropa. Óbvio que o lado emocional teve papel preponderante no rendimento do grupo.
A chegada de Cacaio reabriu as portas da esperança para todos no elenco. Quem andava encostado e sem chances nos tempos de Zé Teodoro voltou a ser lembrado. Casos de Ratinho, Ilaílson e até Roni.
A transfiguração foi saudada com entusiasmo pelo torcedor azulino, saudoso da velha raça e do comprometimento dos jogadores. Mas, se a atuação contra o Furacão foi empolgante, o grande teste ficou para hoje.
Como primeiro confronto da semifinal da Copa Verde, o jogo tende a ser cauteloso e preso ao meio-de-campo, mas o entusiasmo trazido por Cacaio ao Remo pode incendiar o clássico. Caso isso se confirme, todos saem ganhando, principalmente aqueles que apreciam emoção e desassombro.
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