Fenômeno provocado pela globalização do esporte e alimentado pela transmissão massiva de jogos europeus para o Brasil, um grupo de brasileiros fãs do Chelsea fizeram viagem até Londres para reverenciar o time de coração.
Empolgadíssimos com a visita a Stamford Bridge, às vésperas de acompanhar em ação ao vivo Diego Costa e seus companheiros, os brasileiros despertavam curiosidade dos londrinos pelo inusitado da cena.
O inglês macarrônico dos cânticos entoados pelo grupo não diminuía a verdade do sentimento clubístico típico destes novos tempos. Detalhe importante: nenhum dos que ali estavam alimenta a menor predileção por clubes nacionais.
Todos nasceram a milhares de léguas da terra da Rainha, mas a paixão é genuína. Prova maior de que o amor por um clube de futebol independe de fronteiras geográficas. Nem a distância é capaz de frear o fanatismo.
Costumo ver com preocupação nas redes sociais um movimento contra os chamados “mistos”, torcedores que dividem o coração entre clubes de outros Estados – em geral, de Rio e São Paulo – e agremiações locais.
Não consigo ver sentido, nem razão lógica, nesse tipo de patrulhamento. Paixão é território que ninguém controla. Torcer por um clube vem das origens de cada um, sua formação e/ou afinidades pessoais.
Como impedir alguém de devotar afeto a mais de uma bandeira, sabendo-se que os clubes da terra estão ausentes das disputas mais importantes – Série A, Libertadores, Mundial de Clubes? Chega a ser uma demonstração de desinteligência tentar reprimir essas manifestações.
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