O clássico foi atípico. Duas expulsões logo no começo, contusões sérias. Ainda assim, foi um jogo vibrante desde a saída de bola. No segundo tempo, quando as equipes se distribuíram melhor em campo e o Remo perdeu Dadá, prevaleceu a superioridade alviceleste. O Papão venceu com merecimento, confirmando ter hoje o conjunto mais afinado, além de elenco mais qualificado. Poderia, no entanto, ter definido a classificação, pois desfrutou de grandes oportunidades na reta final da partida.
Do lado azulino, a valentia deu o tom da atuação e deixou claro que sob o comando de Cacaio as coisas mudaram para melhor, apesar do revés. O torcedor azulino – novamente em maior número no Mangueirão – viu um time comprometido e lutador, buscando a vitória a qualquer custo. Acontece que transpiração nem sempre é o bastante para vencer. A arrumação que Dado conseguiu dar ao Papão ainda não é possível notar no Remo de Cacaio. Foi um clássico repleto daqueles detalhes que empolgam a massa. Muita entrega dos dois lados, catimba à vontade, sururu em campo e lesões inesperadas. Tudo isso, em maior ou menor intensidade, contribuiu para o desfecho da partida.
Cacaio fez opções audaciosas, como a de usar três atacantes, quando poderia ter reforçado a armação, prejudicada com a perda de Eduardo Ramos. Na base do perdido por um, perdido por mil, suas escolhas contribuíram para um confronto aberto e emocionante, embora talvez tenha errado ao não lançar Levy na lateral-direita para liberar Dadá pelo meio.No Papão, que abriu caminho para a vitória com a belíssima cobrança de Pikachu, sobrou entrosamento, mas faltou certa volúpia ofensiva. Fosse mais empenhado em fazer gols talvez tivesse obtido uma goleada capaz de garantir a vaga de finalista da Copa Verde. Anotei pelo menos três excelentes oportunidades – além do segundo gol, marcado por Bruno Veiga – desperdiçadas pelo ataque.
Tranquilo e confiante na maior parte do tempo, o Papão procurou controlar a partida no meio-de-campo, mas teve sérias dificuldades no segundo tempo, quando o Remo se mostrou mais ousado em busca do gol.As expulsões de Jonathan e Ciro Sena acabaram afetando mais o comportamento do Remo. Com elenco limitado e zaga ainda mais carente, Cacaio foi obrigado a sacrificar uma substituição para recompor a linha de defesa. Não foi a razão maior da derrota, mas teve influência.
Depois do intervalo, o Remo voltou mais impetuoso e chegou a equilibrar as ações, apesar das estocadas sempre agudas do contra-ataque do Papão. A situação complicou definitivamente para os azulinos quando Dadá se contundiu.O esforço físico dispendido para se impor em campo acabou golpeando um dos melhores em campo, com reflexos em todos os setores da equipe, repentinamente reduzida a nove jogadores efetivamente.Quanto às atuações, é justo observar que Fabiano, tantas vezes questionado pelos torcedores, andou livrando o Remo de vários percalços. O trio de volantes também merece destaque. Ilaílson, Dadá (enquanto esteve inteiro) e Alberto foram infatigáveis. Roni, apesar da falha em lance capital, quando podia ter tocado para o interior da área, foi sempre veloz e perigoso.
Do lado alviceleste, Pikachu e Bruno Veiga em altíssimo nível de competição. Mas Ricardo Capanema também se destacou bastante, juntamente com o goleiro Emerson, cada vez mais perto de agarrar a titularidade.
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