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GERSON NOGUEIRA

Amadorismo e superação

Incrível, mas rigorosamente verdadeiro. O Parauapebas entrará em campo neste domingo contra o Cametá, brigando para chegar à semifinal, com apenas um jogador para compor o banco de reservas. Como tem apenas 17 jogadores inscritos no campeonato, o time não

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Incrível, mas rigorosamente verdadeiro. O Parauapebas entrará em campo neste domingo contra o Cametá, brigando para chegar à semifinal, com apenas um jogador para compor o banco de reservas. Como tem apenas 17 jogadores inscritos no campeonato, o time não poderá contar com quatro jogadores que receberam o terceiro cartão amarelo e um que foi expulso (Gustavo) contra o Papão, anteontem.

A situação aflitiva do time dá bem a medida do nível geral do Parazão, cuja imagem vendida ao público é de uma falsa evolução. Ao mesmo tempo em que a Federação Paraense de Futebol destaca a interiorização do certame, a maioria dos clubes mostra gestão capenga e pouco profissional.

Como justificar que um time disputante da primeira divisão estadual só tenha 17 atletas inscritos? Nem em torneio de pelada costuma-se ver tamanho absurdo. Aliás, já na rodada de abertura, o Parauapebas enfrentou esse problema. No jogo contra o Remo tinha apenas três jogadores reservas.

Desta vez, o quadro é mais patético. Com apenas um suplente, o técnico Léo Goiano precisará de muita sorte para tentar a vitória, resultado necessário para garantir a classificação. Seus titulares não poderão se contundir. Como não há divisão de base, Goiano não pode lançar mão de juniores, que sempre quebram o galho nesses momentos.

O caso é inédito nos últimos anos de disputa do Parazão. Essa precariedade era comum até os anos 60, quando o campeonato tinha a participação de equipes amadoras, que se reuniam horas antes do jogo. Eram times simpáticos, mas apenas esforçados, como Avante, Combatentes, Júlio César, Sporting.

Apesar de elenco tão reduzido, o Parauapebas subjugou a dupla Re-Pa (jogando em Belém) e foi finalista do primeiro turno. A façanha lança ainda mais luzes sobre o trabalho de Léo Goiano, que literalmente vem tirando leite de pedra. Com esforço e grande dose de valentia, seu time faz campanha heroica e tem chances de ficar entre os três primeiros colocados da competição.

O drama do Parauapebas escancara também a fragilização dos grandes da capital, incapazes de manter dianteira sobre os interioranos. Até agora têm jogado mais com o nome e a fama. O fato é que a fórmula kamikaze de disputa deste ano tornou tudo ainda mais difícil para a dupla Re-Pa.

Como retrato fiel dessa realidade, a rodada deste domingo exigirá mais do que nunca que ambos se ajudem. Depois de eliminados antecipadamente no primeiro turno, os dois velhos rivais agora dependem um do outro para se classificarem à semifinal do returno.

Por outro lado, caso percam (ou até empatem) seus jogos, ambos podem ser alijados definitivamente do campeonato, sem ao menos ter disputado sequer as semifinais de turnos, fato nunca antes visto no Parazão.

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