O ato foi pacífico, mas contundente. O grupo de jogadores do Remo encarou os repórteres para desmentir o vice-presidente do clube, que anunciou nas redes sociais ter sido pago o salário de todos. Unidos, os atletas denunciaram que ainda há pendências em relação ao mês de fevereiro, que os atrasos têm sido constantes e que os funcionários do clube não recebem há sete meses.
A gravidade da situação do clube só não é maior do que o constrangimento provocado pela reação dos jogadores. Comprometidos dentro de campo, mostraram-se compenetrados e responsáveis na hora de revelar os sérios problemas internos.
Descartaram a ideia de greve, prometeram esforço total na partida decisiva de domingo, mas cobraram providências urgentes. Acima de tudo, pediram o fim da desinformação e das inverdades por parte dos dirigentes.
Pode ter sido a gota d’água. O Conselho Deliberativo já acolheu um pedido de afastamento do presidente Pedro Minowa e seus diretores. A moção deve ser votada no começo da próxima semana e são inúmeras as acusações contra a atual diretoria.
É claro que as agruras enfrentadas pelo Remo não se limitam aos desmandos de agora. Há absurdos que envolvem outras diretorias. Na anterior, por exemplo, um empresário de jogadores era mantido como diretor. Servia ao clube e aos seus representados.
Sobre a gestão de Minowa pesa o fato de que ele prometeu alavancar administrativamente o Remo. Até hoje, só repetiu velhos erros. O estádio segue com obras inacabadas e sem poder ser utilizado para jogos. Os jogadores, como denunciado ontem, não recebem os salários e cobram verdades.
A torcida, atônita ante o descalabro, mobiliza-se em solidariedade aos atletas. Um grupo de torcedores começou a arrecadar dinheiro para premiar e motivar os jogadores antes do jogo em Paragominas.
Mais que um gesto de apreço, é um ato revelador do desespero da torcida diante da omissão dos dirigentes.
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