A eterna caixa-preta da venda de ingressos nos jogos de futebol em Belém pode estar em vias de ser aberta através de investigações puxadas pelo Ministério Público Estadual. As primeiras conclusões indicam o envolvimento de funcionários e até dirigentes da dupla Re-Pa com o esquema.
Promotores que estão à frente das apurações avaliam que as duas diretorias precisarão agir, tomando providências drásticas, caso queiram de fato estancar a sangria nas finanças. Como bilheteria de jogos ainda responde por mais da metade da receita dos dois velhos rivais, é fundamental frear a ação dos envolvidos na tramoia.
Vale aqui o dito consagrado por Don Vitor Corleone em “O Poderoso Chefão”: é preciso manter os amigos por perto e os inimigos mais perto ainda. O aparato de vigilância e fiscalização só será eficiente se considerar os agentes internos, que há tempos solapam os lucros dos clubes, desviando ingressos e permitindo também a distribuição de bilhetes falsificados.
É uma grande oportunidade que se abre para a moralização do sistema de comercialização de ingressos, área que há tempos desperta desconfianças e sofre reiteradas denúncias por parte dos torcedores. O problema é saber se o propósito moralizador da investigação terá força capaz de dobrar os bolsões de resistência que se mantém fortes nos dois lados da Almirante Barroso.
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