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GERSON NOGUEIRA

É impossível parar La Pulga

Eu vi no Maracanã, em julho do ano passado, Lionel Messi receber o prêmio de craque da Copa e era visível seu constrangimento com a escolha da Fifa. Como craque que é, sabia que não merecia a honraria. Ontem, diante de 95 mil pessoas no Camp Nou e milhões

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Eu vi no Maracanã, em julho do ano passado, Lionel Messi receber o prêmio de craque da Copa e era visível seu constrangimento com a escolha da Fifa. Como craque que é, sabia que não merecia a honraria. Ontem, diante de 95 mil pessoas no Camp Nou e milhões de fãs espalhados pelo mundo, ele não deixou margem a dúvidas. Os gols, os passes, as inversões e a pontaria infalível atestam quem é o melhor jogador da atualidade.

O jogo contra o Bayern se arrastava em meio a trocas táticas de golpes. Raros lances agudos, embora o embate fosse movimentado. Muita marcação e vigilância sobre os que podem desequilibrar – Neymar, Müller, Suarez e ele, Messi.

Em certos momentos, a partida lembrava a morna luta entre Mayweather e Pacquiao no sábado passado. Muitos jabs e esquivas, poucos diretos. Caminhava para um 0 a 0 quando, de repente, eis que o talento se ergue e derrama luzes sobre a escuridão.

Messi, lançado por Daniel Alves, invade a área corta o beque para a direita e bate no canto esquerdo de Neuer, aos 32’. Três minutos depois, com o Bayern ainda tonto, outro passe em profundidade encontra La Pulga quase no mesmo lugar de antes. Ele avança, finta Boateng e chuta, de cavadinha, para o fundo das redes. Um golaço.

Nos acréscimos, quando as comemorações estavam em andamento, Messi, infatigável, apanha bola no meio-campo, sobrevive a uma sarrafada e enxerga Neymar entre os zagueiros em linha. O passe sai milimétrico. Nem curto nem longo. Preciso.

O brasileiro arranca com a bola e, na saída do goleiro, bate rasteiro. Barça 3 a 0, num espaço de tempo inferior a 15 minutos. Incrível como o poderoso Bayern ruiu de maneira tão rápida depois de resistir por 77 minutos.

A façanha do time azul-grená só foi possível porque há um fora-de-série para estabelecer a diferença. O Bayern de Pep Guardiola é um timaço, difícil de ser vencido e cheio de alternativas. Mesmo sem Ribery e Robben, é um esquadrão temível.

Os 15 minutos de futebol em altíssimo nível que Messi impôs no segundo tempo demoliram as barreiras e fizeram o Bayern parecer um time como outro qualquer. Prova insofismável de que não há tática capaz de deter um grande craque.

Por tudo que tem feito em tão curto tempo, Messi está no patamar dos jogadores muito especiais. Há debates sem fim sobre as comparações, mas é razoável colocá-lo hoje ao lado de Platini, Ronaldo, Rivelino, Cruyff, Beckenbauer e Cristiano Ronaldo.

Precisa ainda lustrar esse portfólio com uma campanha irrepreensível em mundiais para poder se ombrear a Romário, Zidane e Maradona, todos heróis e vencedores de Copas. Alcançar Garrincha já é mais complicado, visto que Mané foi um anjo torto genial. Pelé, então, nem se fala...

Mas, por mais duro que seja para muitos, cabe reconhecer que esse argentino joga muita bola. Que tremendo privilégio é vê-lo em ação.

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