Quando saem as listas de dispensas nos clubes, como agora no Remo, que liberou seis atletas de uma só tacada, há quem veja nisso algo inteiramente normal e corriqueiro nesse ramo de andarilhos profissionais. Sob certo ponto de vista, até é normal, levando-se em conta o caráter temporário da maioria dos contratos.
Ocorre que o futebol brasileiro tem uma das estatísticas mais cruéis quanto a desemprego. A cada começo de temporada, logo depois dos campeonatos estaduais e das Copas Regionais, aproximadamente 11 mil atletas ficam sem trabalho. Se for aplicado o cálculo básico de mais três dependentes por cada profissional desempregado, serão 44 mil pessoas em dificuldades.
Quando o Bom Senso F. C. iniciou mobilização para interferir no projeto de regulamentação do esporte no Brasil mostrou particular preocupação com a dura realidade dos boleiros sem glamour, aqueles que não frequentam o noticiário dos grandes centros e nem têm seus gols mostrados nos principais canais de esporte.
São deserdados da sorte. Brasileiros como tantos outros de áreas diversas que convivem com o fantasma do desemprego e das incertezas.
Algo precisa ser feito, já.
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