A campanha é impecável. Já é a melhor da Série B. O time joga com disposição e comprometimento. O torcedor lota as arquibancadas. Tudo parece se encaminhar para voos mais altos, antes fora dos planos. O acesso já é uma possibilidade concreta, como a coluna registrou após o jogo com o Náutico, no Recife. Agora, com a alegria e a confiança que se apodera do torcedor, o Papão já abre a perspectiva de conquistar seu tricampeonato da Segunda Divisão.
Não é delírio, as chances estão aí mesmo. Neste momento, o Papão depende de suas próprias forças para atingir esse objetivo. Para subir, necessita de mais 45 pontos – a média de pontuação fica entre 65 e 67 – em 84 possíveis. E, para escapar ao rebaixamento, precisa assinalar pelo menos mais 25 pontos, o que é mais do que provável.
Por todos esses números, a trajetória na Série B tem sido empolgante, merecendo o apoio maciço da torcida Fiel, que volta também a prestigiar a equipe depois de ter sido pouco participativa no começo de campeonato.
Em campo, o time produz o necessário para vencer seus jogos, fiel aos manuais da Série B. A garantia de êxito depende de faturar sempre os três pontos em casa e pontuar sempre fora. Parece simples, mas a maioria dos times se atrapalha justamente nesta missão básica.
Ontem à noite, diante de 32 mil pessoas presentes ao estádio Jornalista Edgar Proença, o Papão não começou bem. Hesitante nas jogadas pelas laterais e pouco objetivo no ataque, chegou a impacientar o torcedor nos primeiros minutos, principalmente porque o Atlético Goianiense marcava forte e ameaçava em estocadas pelas extremas.
Disposto a surpreender, o Dragão impôs um ritmo forte, impetuoso. Logo de cara, um grande susto em bola trabalhada nas costas de Pikachu. O tiro de Rafinha passou rente ao poste esquerdo de Emerson. O Papão reagiu com um bom chute de Carlos Alberto, que o goleiro mandou a escanteio. Logo depois, veio um cabeceio forte de Aylon e investida fulminante de Jonathan na diagonal pela direita, quase abrindo o placar.
Quando tudo se encaminhava para um 0 a 0 frustrante no primeiro tempo, Carlos Alberto descolou um passe de letra que deixou Leandro Cearense cara a cara com o goleiro Márcio. Com um leve toque, a bola foi para as redes e a vitória começou a ser estabelecida.
Depois do intervalo, tranquilo com a vantagem, o Papão voltou como senhor absoluto das ações. Logo aos 9 minutos, em jogada de Pikachu na linha de fundo, o zagueiro Marlon resolveu homenagear Tiago Silva e deu uma cortada de vôlei na área. O próprio Pikachu cobrou e marcou seu 55º gol com a camisa alviceleste.
A partir daí, o Atlético se perdeu em jogadas sem inspiração, abusando dos passes errados. O Papão tomou conta da partida, procurando cadenciar seus avanços. Deu-se até ao luxo de desperdiçar alguns contra-ataques preciosos, com Aylon, Jonathan e Carlinhos. Afobação e certa ganância impediram que a vitória fosse mais larga.
Papão foi novamente muito objetivo e acabou ajudando a sorte, com a excelente jogada que levou ao gol de Cearense quando o jogo ainda estava muito equilibrado e indefinido. Dado Cavalcanti mostra absoluta noção das potencialidades do time. Os bons resultados estão diretamente associados a esse grau de conhecimento.
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