Há quem analise o 7 a 1 histórico de Belo Horizonte como uma espécie de 11 de Setembro do futebol brasileiro. Descontado o evidente exagero, o fato é que o Brasil jamais se recuperou daquela sova de um ano atrás. Estava lá, ao lado de Carlos Castilho, Guilherme Guerreiro e Paulo Fernando. Acompanhei o massacre ao vivo, acomodado nas tribunas de imprensa do Mineirão, ao lado de jornalistas do mundo inteiro, igualmente perplexos com o desenrolar da partida.
Ao escrever a crônica daquele jogo, lamentei que o futebol – ao contrário de basquete e vôlei – não tenha pedidos de tempo para que os técnicos possam arrumar a casa em meio a uma tormenta. E aquilo ali foi bem mais que um vendaval, foi um tsunami de grandes proporções.
Os cinco gols marcados pela Alemanha em sequência matadora destroçaram o time de Felipão e cravaram um novo trauma na alma do torcedor brasileiro. Bem pior do que o drama de 50, a tragédia do Mineirão foi marcada pela humilhação. E a certeza de que jamais, nem em 300 anos, conseguiremos ir à forra.
Em retrospecto, cabe observar que a superioridade técnica dos alemães na Copa era reconhecida, mas ninguém em juízo perfeito imaginava um desfecho tão doloroso daquela semifinal. Jogadores como Dante, David Luiz e Fernandinho sequer viram a cor da bola. Felipão, ao lado do campo, estava mais perdido que todos. E continuaria assim na disputa do terceiro lugar diante da Holanda.
De bom naquela noite morna em BH, somente o encontro inesperado com o Placido Domingo no restaurante D. Lucinha duas horas depois da goleada. Gentil e compadecido de nossa desdita, o tenor espanhol disse ter sofrido ao ver tanta gente chorando no estádio e vaticinou a recuperação do Brasil na Copa de 2018. Generosa previsão, na qual obviamente nenhum de nós botou fé.
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