Registro, agradecido, o recebimento de dois livros recém-lançados e que muito dignificam qualquer biblioteca, mesmo aquelas mixurucas, como a minha. O primeiro é “Golpe de Estado” (Ed. Geração), de Palmério Dória e Mylton Severiano. O subtítulo explica a obra: “O espírito e a herança de 1964 ainda ameaçam o Brasil”. O outro é “A Vida sem Crachá” (Ed. Agir), de Claudia Giudice. Um relato pungente e muitíssimo bem escrito sobre “a dor de perder um emprego e a experiência de dar a volta por cima com um plano B”.
O prazer maior vem do fato de que são livros escritos por jornalistas. Bons jornalistas, diga-se. “Golpe...” tem um tom engajado e até carbonário, com o qual muito me identifico. O de Claudia é sobre a faina diária, as agruras, os ‘sapos’ e a pauleira de um ofício que poucas vezes glorifica méritos, mas está sempre à espreita para nos dar rasteiras. Profissão, porém, que amamos tanto.
As duas obras, tão diferentes entre si, são úteis e atualíssimas. Ambas provocam inveja branca neste caboclo baionense e fizeram com que mergulhasse ainda mais no meu próprio livro, com a certeza de que não tenho como nem chegar perto. Vale a tentativa, e isso já é meritório, como bem nos ensina Claudia.
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