O horário matinal de jogos pode ser um tremendo negócio para os clubes, torcedores, anunciantes e dona CBF, mas seguramente é um desrespeito e um risco à saúde dos jogadores. A lotação dos estádios em praças de Rio, São Paulo e Minas Gerais tem estimulado a manutenção da prática, que é tão nociva aos atletas que tem sido evitada até pela Fifa em jogos da Copa do Mundo, salvo exceções muito especiais.
Tenho acompanhado várias partidas disputadas sob o “luar” do meio-dia, estendendo-se até quase 13h, para desespero de jogadores, técnicos e preparadores físicos. Não há cristão que aguente desempenhar suas funções sob calor tão intenso e torturante. A partir do começo do segundo tempo, as pernas começam a pesar, a visão começa a ficar nublada e o fôlego vai diminuindo.
Com isso, a qualidade técnica das partidas fica inteiramente prejudicada, resultando em jogos com desfecho que mais se assemelha a um desfile de vítimas de batalha.
Na sexta-feira, em atenção aos perigos representados para o estado físico dos jogadores, a CBF soltou um ofício circular regulamentando o atendimento médico de emergência e atualizando as orientações para os apitadores. Com dez itens, o documento estabelece padronização da parada médica nos jogos para 11h em ponto.
Os médicos dos clubes passam a ter autonomia para, mesmo sem autorização do árbitro, entrar no gramado para atender jogadores vítimas de desmaio, choque de cabeça ou queda brusca. A ideia é agilizar o atendimento a um eventual traumatismo crânio-encefálico, parada cardíaca ou qualquer problema que possa até resultar em morte súbita.
Fica estabelecido ainda que haverá paradas médicas aos 30 minutos de cada tempo, com base nos procedimentos adotados na Copa do Mundo. O cronômetro não será pausado e serão adicionados três minutos ao período regulamentar. As paradas só serão evitadas quando a temperatura estiver abaixo de 28 graus e sob chuva.
Pelo alentado rol de providências, entendo que o mais simples seria abrir mão desse horário impraticável e danoso ao próprio futebol como espetáculo. Talvez se espere algo mais grave e impactante acontecer para adotar a lei do bom sendo.
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