O Remo jogou como se estivesse treinando. Começou em ritmo mais acelerado porque os 30 mil torcedores presentes empurravam o time, mas em campo a bola rolava sem maior pressa. Edcléber perdeu um gol logo de cara. A afobação prevalecia, substituindo a organização. O Vilhena só se defendia, como previsto, evitando passar do campo de defesa.
Com dois minutos, um susto. Edilsinho, que passou uma chuva no Baenão há dois anos, mandou um tiro forte e rasteiro da intermediária, quase enganando o goleiro Fernando Henrique.
O Remo era dono da bola, atacava sem bloqueios no meio e o gol de abertura, aos 10 minutos, em belo arremate de Léo Paraíba, abriu as esperanças de uma atuação mais encorpada dos azulinos, condizente com o entusiasmo do torcedor, que fazia festa por qualquer motivo nas arquibancadas.
Mas, depois que fez 1 a 0, o Remo se acomodou, exagerando nos toques laterais, aparentemente buscando atrair o Vilhena. O problema é que o Vilhena não saía da defesa e faltava força e criatividade para entrar na área. Além disso, os alas não apareciam para participar das ações ofensivas.
O tempo foi passando, Paty perdeu um gol de cabeça, Eduardo Ramos obrigou o goleiro a grande defesa de mão trocada e Edcléber desperdiçou outra chance preciosa. A torcida, paciente, evitava vaiar, mas se impacientava com a falta de vibração e apetite. Afinal, saldo de gols é item importante de desempate na Série D.
Eduardo Ramos, sem qualquer marcação, se deslocava de um lado a outro do ataque sem conseguir jogadas que envolvessem o adversário. Paty, isolado, não recebia bolas em condição de finalizar. O mais ágil e produtivo era Léo Paraíba, que buscava sempre os lances individuais e aproveitava qualquer brecha para chutar em direção ao gol.
Veio o segundo tempo e Cacaio trocou Edcléber por Sílvio, tornando o time ainda mais ofensivo, às vezes com quatro homens na linha de ataque - Paty, Léo Paraíba, Sílvio e Eduardo Ramos. A mexida custou a surtir efeito, pois o Vilhena se acautelou ainda mais, praticamente jogando com nove jogadores dentro de sua área.
Eduardo Ramos e Paraíba se deslocavam, confundindo a marcação. Essa movimentação deu mais força de pressão ao ataque azulino, fazendo surgir seguidas oportunidades. Na primeira delas, Ramos esteve para ampliar, mas a bola bateu em dois zagueiros. Paraíba quase marcou aos 20 minutos, mas, aos 29, em toque de letra de Ramos para Sílvio, nasceu o segundo gol.
Logo em seguida, Cacaio substituiu Paty por Aleílson, que entrou bem na partida, mas voltando a falhar nas finalizações. Perdeu dois gols de cara com o goleiro. Com a expulsão do zagueiro Vinícius, que levou o segundo amarelo, a situação ficou ainda mais favorável ao Remo, mas os atacantes repetiam os erros de finalização já conhecidos. Só aos 34, em cruzamento de Ramos, Chicão desviou de cabeça e a bola entrou no canto direito.
Caso tivesse força, inspiração e um pouco mais de entusiasmo, o Remo ainda poderia ter ampliado. O placar final, porém, foi suficiente para confirmar o favoritismo e garantir o primeiro lugar no grupo A1, mas a massa torcedora saiu com um quê de preocupação em relação aos apagões do ataque e ás falhas pontuais na defesa - jogando contra um time estropiado, que tinha apenas um atleta na reserva.
Cacaio terá 15 dias para corrigir esses problemas antes da estreia no mata-mata.
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