Quando o zagueiro Gum ajeitou a bola na marca penal e recuou cerca de dois metros apenas para armar o chute, tive a quase certeza de que iria se complicar na cobrança. Isso de fato aconteceu, com a bola indo parar lá nas cadeiras especiais da Allianz Arena palmeirense.
Esse pressentimento mais ou menos óbvio deve ter ocorrido a muitas pessoas na noite de anteontem, por ocasião da semifinal entre Palmeiras e Fluminense.
Gum, zagueiro de estilo duro e bom de cabeceio, nunca brilhou pela técnica ou elegância no trato com a bola. Sempre deu chutão e era justamente isso que se esperava dele na execução do penal. Ao ensaiar uma cobrança mais caprichada, como os craques costumam fazer, buscando pouca distância, anunciou que iria desperdiçar a penalidade.
A regra não escrita do futebol ensina que jogadores habilidosos costumam bater pênaltis colocando a bola fora do alcance do goleiro, encaixando geralmente nos cantos ou nos ângulos superiores. Raramente se aventuram a disparar foguetes.
O oposto ocorre com os beques e volantes roceiros, que fecham os olhos e enchem o pé, quase sempre vencendo o goleiro pela violência do chute.
O pecado de Gum foi tentar quebrar essa regra sagrada. Deu-se mal e levou o Fluminense junto com ele.
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