Dois jogos num só. Foi assim Papão x CRB, sábado, no Mangueirão. No primeiro confronto, o placar ficou em 1 a 1, com predomínio alagoano e muita desorganização do lado paraense. Já na segunda refrega, a presença bicolor foi avassaladora, como ainda não se tinha visto nesta Série B. Foram quatro gols em 24 minutos, entre os 23 e 47 do segundo tempo. Um ritmo alucinante, com fúria, raça e coração, na melhor tradição dos grandes triunfos alviceleste.
A pasmaceira da primeira parte foi substituída pela maneira eletrizante adotada no segundo período. Se no primeiro faltou iniciativa e criativida, principalmente nas articulações pelo meio, depois do intervalo a transformação sofrida pelo Papão justificou plenamente a sensacional virada.
O gol de Zé Carlos aos 27 minutos do primeiro tempo foi produto da maior presença ofensiva do CRB, cujo meia Gerson Magrão ganhava praticamente todas as bolas na área central e partia com ela dominada, distribuindo para Gleidson Souza ou Ricardinho, principalmente este. O lance do gol nasceu da pressão sobre a zaga e de um escorregão de Ricardo Capanema na entrada da área. Magrão pegou a bola e tocou para Zé Carlos mandar para o barbante.
Com habilidade na frente, o CRB foi tomando conta do jogo a partir do momento em que percebeu o desequilíbrio do Papão na meia-cancha. Augusto Recife havia entrado com a função de fazer a ligação, revezando-se com Aylon, que teoricamente atuaria mais recuado. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Nem Recife se posicionou como articulador, nem Aylon deixou de correr pela direita do ataque.
O problema é que o Papão não conseguia tocar a bola em velocidade, permitindo sempre que os volantes do CRB se antecipassem e acionassem Magrão. Antes e depois do gol, o time alagoano desfrutou de pelo menos três boas chances para marcar, só não chegando a isso porque Magrão não perde o hábito de prender
demais a bola.
Quando a torcida já se exasperava, vaiando e pedindo raça, eis que Welinton Jr., Pikachu e João Lucas resolveram empreender um esforço final para sufocar com bolas cruzadas na área. Isso durou pouco tempo, mais ou menos uns 10 minutos, mas foi o suficiente para tirar o Papão da letargia.
Aos 40, Pikachu cobrou escanteio e a bola quase traiu o goleiro Juliano. No instante seguinte, cruzou na cabeça de Aylon, que se posicionava no primeiro pau e desviou no canto oposto da trave do CRB, empatando o jogo. O Papão não fazia por merecer a igualdade, depois do sofrível primeiro tempo, mas buscou forças onde não tinha e voltou para o jogo.
O capital Fahel, peça destoante na partida até ali, desceu para os vestiários avisando que o time voltaria para conseguir a virada. Isso, de fato, aconteceu. Com gana e muito esforço, o Papão iniciou o segundo tempo no ataque, quase chegando ao segundo gol com Welinton.
Aos poucos, o CRB voltou a levar perigo nas saídas rápidas para o ataque. Isaac, que substituiu a Zé Carlos, perdeu um gol aos 18 minutos ao tentar driblar o goleiro Emerson. Ágil, o guardião pulou para o lado e segurou a bola que já escapava.
Cinco minutos depois, veio a resposta de Capanema, pelo qual os jogadores haviam prometido lutar até o fim. Cearense pressionou o zagueiro Jussani e tocou para o meio, encontrando o volante livre para marcar. Era o desempate e o começo de uma virada empolgante.
Aos 28, Cearense recebeu cruzamento da direita e em dois tempos mandou para as redes. O CRB, abatido com as falhas seguidas e exaurido fisicamente, pareceu se entregar. Magrão sumiu da partida e o Papão era todo entusiasmo nas ações ofensivas, superando até suas limitações e ausência de organização pelo meio.
Aos 40, veio o gol mais bonito. Cearense mandou um chute de curva no ângulo, sem defesa para Juliano. E ainda houve tempo para mais um. Aos 48, a zaga errou um passe no meio da área e Welinton entrou livre para bater na saída do goleiro.
Vitória acachapante, produzida mais pela transpiração do que pela elaboração de jogadas. A goleada deixa o Papão de novo na briga pelo acesso e quebra um jejum de seis jogos na competição.
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