Com um esquema confuso, que hesitava entre o medo de ir com muita afoiteza à frente e a pressa em sair lá de trás, o Remo parou na frieza e no esquema mais organizado do Botafogo-SP. O empate sem gols classificou a equipe de Ribeirão, que veio a Belém posicionada para receber sufoco e conseguiu reduzir a zero os riscos diante de um atrapalhado ataque azulino.
Cacaio optou por Welton como parceiro de Kiros no ataque e a ideia não vingou logo de cara porque a zaga do Botafogo mantinha quatro homens fixos, mais o zagueiro Mirita na sobra. No meio, dois volantes e Vitinho, o cabeça pensante da equipe, livre para correr o campo todo, deixando dois homens bem avançados, com Canela e Diego Pituca.
Welton caía pela esquerda, mas era vigiado sempre por dois marcadores, enquanto os demais cuidavam de Kiros. Diante desse posicionamento, Eduardo Ramos deveria ser o terceiro atacante, chegando pelo meio. Ocorre que ele era ainda mais policiado, chegando a ter até três no seu encalço. Restava então a opção de Levy, jogando como falso atacante, mas que se limitava a cruzar bolas na área.
O melhor momento do Remo em todo o jogo foi ainda no primeiro tempo, quando Ramos cobrou falta e Caio Ruan desviou no travessão. Na sequência, Kiros cabeceou de cima para baixo e a bola passou rente à trave.
A partir daí, a partida se resumiu à insistência do Remo nas jogadas aéreas e a tranquilidade do Botafogo em resistir ao cerco, ora com saídas do goleiro Neneca, ora com saídas pelo meio através do perigoso Vitinho.
Sem se fechar totalmente, o visitante se manteve cauteloso e pronto a dar o bote, intranquilizando sempre o Remo com a possibilidade de um contragolpe fatal. Isso quase ocorreu aos 22 do segundo tempo, quando Fernando Henrique evitou o gol tirando com os pés o arremate de Canela.
Cacaio fez mexidas sem alterar posicionamentos. Colocou Léo Paraíba, Sílvio e Rafael Paty, tirando Welton, Macena e Ciro Sena. Nada mudou porque a equipe seguiu sem contar com o brilho de Eduardo Ramos, marcado em tempo integral, e não teve um outro jogador para dividir com o camisa 10 a tarefa de organizar.
No fim, os 18 mil torcedores presentes aplaudiram intensamente a equipe que levou o Remo de volta à Série C, reconhecendo o esforço e as limitações. No fundo, uma rápida análise da campanha revela que o time chegou onde era possível chegar.
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