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GERSON NOGUEIRA

Sob as vistas de Tio Sam

O coronel devia assumir a CBF em grande estilo. De cara, podia dar logo uma voadora. Demitia o Dunga, mandava o chefe da comissão de arbitragem pastar e enquadrava os mais afoitos dirigentes de clubes. Enfim, botava ordem no roçado. Se é para levar bordoa

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O coronel devia assumir a CBF em grande estilo. De cara, podia dar logo uma voadora. Demitia o Dunga, mandava o chefe da comissão de arbitragem pastar e enquadrava os mais afoitos dirigentes de clubes. Enfim, botava ordem no roçado. Se é para levar bordoada nos programas esportivos das emissoras de São Paulo e Rio, que seja pelo menos por um motivo justificado.
Não pode é ficar levando as sobras do que - por justiça - seria destinado a Marin e Del Nero.

Antes mesmo de ser ungido novo chefão da CBF, pelo critério de idade e camaradagem com Del Nero, o coronel já apanha mais do que estudante secundarista nas mãos da polícia de Alckmin em São Paulo. Desse jeito, corre o risco de virar uma espécie de Geni na CBF, apedrejado e pagando todos os patos possíveis e imagináveis.

Já foi acusado até de favorecer o Papão na mudança de formato da Copa Verde, quando, na verdade, o principal motivo da inclusão do time de coração do futuro presidente da CBF foi a insistência do canal Esporte Interativo, apressado em garantir a dupla Re-Pa na competição. Nunes foi apenas comunicado da intenção e, à sua maneira, aceitou numa boa.

Afinal, nunca foi mesmo característica do veterano dirigente quebrar estaca ou dar murro em ponta de faca. Quem acompanha sua trajetória como eterno presidente da FPF sabe bem disso.

Talvez tenha ficado faltando de sua parte, quando a CBF e o Esporte Interativo discutiam a mudança na Copa Verde, um pequeno esforço para preservar os direitos de Independente e Parauapebas. Como se sabe, são clubes que sempre foram extremamente leais ao coronel em suas sucessivas reeleições na FPF.

Já cotado para substituir Del Nero, Nunes podia ter pelo menos argumentado em defesa da dupla interiorana. Podia, mas não agiu assim.

Resulta daí a insatisfação derivada do anúncio de que tanto Independente quanto Parauapebas estão sumariamente defenestrados da CV 2016, sendo que ambos conquistaram direito em campo com campanhas brilhantes no Campeonato Estadual. Não têm culpa se, de uma hora para outra, a CBF decidiu pelas mudanças.

É com este ensaio de muvuca doméstica que o coronel marcha para, também à sua maneira, chegar à presidência da entidade que (ainda) manda no futebol no país. Fustigada de todos os lados por denúncias de maracutaias e sob investigação da Justiça norte-americana, a CBF talvez tenha no caboclo paraense Nunes seu último presidente no antigo perfil.

Custa a crer que os clubes - com 40 votos na entidade, contra 27 das federações - permitam por mais tempo que a vontade de Del Neros e Marins continuem a prevalecer sobre seus destinos. Há uma sinalização de que, em 2018, a presidência da entidade será disputada por um representante dos grandes clubes brasileiros, como já deveria ser há um bom tempo.

Até lá, contra todos os prognósticos, com R$ 200 mil de salários e muitas mordomias, o coronel deverá ser o presidente de fato e de direito - isto, é claro, se Tio Sam deixar...

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