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GERSON NOGUEIRA

Tudo em nome do sistema

De todas as considerações de Leston Junior sobre o jogo de anteontem em Santarém a que mais chama atenção é a de que não pretende mudar o sistema de jogo adotado até agora. Escala o time num 4-4-2 que se desdobra em 4-5-1 quando o adversário tem a capacid

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De todas as considerações de Leston Junior sobre o jogo de anteontem em Santarém a que mais chama atenção é a de que não pretende mudar o sistema de jogo adotado até agora. Escala o time num 4-4-2 que se desdobra em 4-5-1 quando o adversário tem a capacidade de isolar Eduardo Ramos, como fez o São Francisco de Valter Lima. Para um campeonato de tiro curtíssimo como o Parazão, se agarrar a ferro e fogo a um modelo é sempre uma temeridade, ainda mais quando o elenco não tem os jogadores adequados para determinadas funções.

No jogo, o sistema foi inteiramente anulado pela correria e marcação impostas pelo adversário. O Remo não conseguia acompanhar os avanços do São Francisco e a zaga (em linha, de novo) quase tomou um gol na única bola lançada em profundidade para Ricardinho.

Quanto ao eixo principal do sistema de Leston, a presença de três volantes (Chicão, Michel e Yuri) em nada contribuiu para segurar o ímpeto do adversário e nem deu tranquilidade aos armadores Marco Goiano e Eduardo Ramos. Ramos foi anulado pela marcação. Goiano foi discreto e depois foi para a lateral-esquerda. Ciro não teve uma chance sequer. Aliás, o Remo não deu um chute a gol durante todo o período.

Na segunda metade do jogo, o São Francisco se preocupou em minar o setor defensivo do Remo usando velocidade e força. Quase abriu o placar aos 17 minutos com Elielson, que havia substituído a Ricardinho. Alguns minutos depois chegou ao gol em jogada rápida, como tantas que buscou ao longo do embate. Buiú aproveitou uma saída errada do Remo e um buraco no centro da defesa para balançar as redes. O próprio Buiú teve mais duas chances para dilatar o placar.

Enquanto isso, o Remo atacava sem convicção. Faltava punch para incomodar o adversário. Fechado atrás, com até nove jogadores atrás da linha da bola, o São Francisco recuperava a bola e partia com vontade para cima do atrapalhado bloqueio defensivo azulino, levando sempre perigo.

O atual sistema aproxima-se muito em conceito da configuração utilizada pelo técnico Flávio Araújo, que há três anos passou pelo Evandro Almeida e perdeu dois turnos de campeonato jogando numa retranca infernal. Tem semelhanças também com a confusa equipe de Zé Teodoro, que deixou o clube logo depois de um turbulento início de campeonato em 2015.

Todo mundo sabe das dificuldades que o Campeonato Paraense impõe nesta atual forma de disputa. É um torneio atípico, que exige muita força de marcação e capacidade de segurar adversários velozes. Com um time de faixa etária perto dos 30 anos e um meio-campo engessado sempre que Eduardo Ramos é bem policiado, o Remo terá que refazer (e rejuvenescer) sua proposta de jogo para manter vivo o sonho do tricampeonato.

O ponto de partida seria trabalhar com apenas dois volantes, apostar na criatividade de Ramos e Goiano e dar a Ciro um companheiro de ataque (Léo Paraíba ou Sílvio). Acima de tudo, Leston tem que atentar para o fato de que o campeonato não permite muito laboratório. Ou o time se ajusta logo ou vai acompanhar o desfile dos concorrentes diretos.

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