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GERSON NOGUEIRA

As lições das semifinais

As semifinais do primeiro turno, disputadas no sábado e no domingo, deixaram claro pelo menos um aspecto deste Campeonato Paraense: a dupla Re-Pa não está nadando de braçada em relação aos demais competidores. Pelo contrário, o equilíbrio reina, tanto que

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As semifinais do primeiro turno, disputadas no sábado e no domingo, deixaram claro pelo menos um aspecto deste Campeonato Paraense: a dupla Re-Pa não está nadando de braçada em relação aos demais competidores. Pelo contrário, o equilíbrio reina, tanto que nas duas decisões deu empate no tempo normal e o vencedor teve que sair na cobrança de penalidades.

Tanto Remo, que superou o Independente, quanto o Papão, que passou pelo Águia, encontraram inúmeras dificuldades nos dois confrontos. Um e outro não conseguiram se impor perante os adversários interioranos. Os dois empates - justos do ponto de vista técnico - atestam isso.

A tese de que o Papão 100% era um time quase pronto fez água ontem no Mangueirão. O Águia foi superior no primeiro tempo e o Papão sentiu o impacto da perda do volante Ricardo Capanema e do principal organizador, Celsinho, expulso depois de um sururu com Charles e Ednaldo.

A convicção de que o Remo não tem um time afinado se confirmou plenamente no sábado à noite, quando o Independente se posicionou com mais clareza e articulação na defesa e no ataque, levando ainda ampla vantagem nas ações de meia-cancha.
As duas torcidas comemoram com gosto a classificação à final do turno. Objetivamente, é o que mais importa. Vencer a primeira metade do campeonato já garante uma vaga na Copa do Brasil e representa passo importante para a conquista do campeonato.

De mais a mais, torcedor festeja até vitória no palitinho ou no bilharito, mas o fato é que a análise do desempenho dos grandes da capital nas semifinais não pode omitir a baixa produtividade nos dois jogos.

Comentei Remo x Independente na Rádio Clube e sofri críticas de alguns torcedores por ser aparentemente rigoroso demais na avaliação da atuação azulina. É natural que a opinião do analista por vezes entre em choque com a empolgação do torcedor e desagrade a técnicos, jogadores e dirigentes.

Não analiso um jogo apenas pelo resultado final. Observo e comparo planos táticos e atuações, levando em conta o comportamento individual dos jogadores e a produção coletiva de cada equipe. A partir daí, formulo minha opinião. O que vi sob o temporal de sábado no estádio Jornalista Edgar Proença foi um embate parelho, com o Independente sempre mais objetivo e consciente. Depois que perdeu o ala Jaquinha (lesionado), Lecheva apostou tudo nas ações pelo meio, com Fabrício e Alexandre adiantados, enquanto Billy e Dudu ficavam na proteção à zaga.

Do lado remista, os volantes não davam conta de atrapalhar os meias do Independente, muito menos de proteger o lado direito da defesa, onde Murilo sofreu com Chaveirinho no segundo tempo. Monga se afastou do duelo direto com os zagueiros e adotou posição mais recuada, onde teve vida mansa, pois os marcadores do Remo não conseguiam detê-lo.

Pouco entrosado e sem repertório de jogadas, o Remo vive do voluntarismo de Eduardo Ramos e Ciro, algumas vezes ajudados por Léo Paraíba, que tem a missão de ajudar Levy no bloqueio. Apesar do esforço, Léo foi decisivo, cruzando da esquerda para a finalização perfeita de Ramos no segundo pau no lance do belo gol do Leão. Pelas dificuldades e na emoção natural desencadeada pelas penalidades, a classificação incendiou a galera.

Ontem, a situação foi mais ou menos parecida, embora sem gols no tempo normal. A Fiel saiu em êxtase do Mangueirão com a vitória nos penais.

O jogo, porém, foi difícil e tecnicamente muito truncado. Na metade inicial, o Papão viu o Águia ameaçar em várias ocasiões. Flamel deixou Joãozinho na cara do gol por três vezes, mas o atacante escorregou uma vez e chutou errado nas outras duas.
Quando Celsinho saiu, o time evidenciou limitações que os jogos anteriores só esboçavam. A defesa insegura com Gilvan e Lombardi, com laterais muito afoitos. No meio, só prevalecia a tranquilidade de Augusto Recife. Mas faltavam jogadas agudas pelo meio.

Com Flamel bem vigiado, o Águia apenas se defendia na etapa final. Vieram mais três expulsões (duas do lado marabaense), colocando 9 contra 8 e deixando o campo ainda maior para o pouco futebol mostrado.

Mais confiante e inteiro fisicamente, o Papão foi á frente e chegou a ensaiar um sufoco. Betinho e Cearense desperdiçaram grandes chances, dentro da área, mas o Papão não conseguia jogar coletivamente, errando muitos passes e revelando insegurança por parte de alguns jogadores.

Fabinho Alves, pela insistência com as jogadas de linha de fundo, sempre em velocidade, terminou como o principal destaque de uma equipe que confirmou sua dependência em relação a Celsinho, que ontem estava nervoso em excesso, a ponto de sair no tapa. Sem ele, o talento some da faixa central e até as cobranças de falta não frutificam.

Com raça e determinação, o Papão garantiu lugar na final. Destaque para a excelente performance de Emerson, que coroou a boa atuação com duas defesas fundamentais na série de penalidades.

Dos dois grandes espera-se sempre mais, até porque são os principais representantes do Estado nas competições nacionais e precisam ter times competitivos não só para o Parazão, mas o restante da temporada. Pelo que se observa, será preciso evoluir muito.

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