Nervoso, disputado sob forte marcação e fraco tecnicamente. Assim foi o Re-Pa decisivo do turno. Não muito diferente do que têm sido os jogos do Parazão. Os times passaram grande parte do jogo fazendo ligações diretas, denunciando a falta de jogadas criativas e de consistência técnica no meio.
O Papão mostrou mais segurança ao longo do primeiro tempo. Levava perigo nas bolas aéreas, utilizava bastante a faixa direita do ataque, com Roniery avançando para cruzar em direção a Betinho.
Apesar da discreta participação dos meias Marcelo Costa e Rafael Moura, o Papão sempre levava perigo pelos lados, principalmente quando Fabinho Alves investia sobre Murilo, o mais atrapalhado defensor remista.
Curiosamente, a partida demorou 17 minutos para ver o primeiro arremate a gol. Foi de Betinho, aparando de sem-pulo e mandando por cima do gol de Fernando Henrique. Minutos depois, em belo disparo de Levy, Emerson espalmou e Ciro perdeu excelente oportunidade.
Aos 31 minutos, depois de uma sequência de dribles sobre Murilo e Yuri, Fabinho sofreu falta, que Marcelo Costa bateu em direção ao gol. No primeiro pau, Eduardo Ramos tentou afastar, mas desviou para as redes.
Leston Junior substituiu Murilo (lesionado) por João Vítor e devolveu Levy à lateral direita, conseguindo corrigir o erro da escalação. A partir daí, o Remo conseguiu deter os avanços de Fabinho e ganhou, com Levy, mais um homem nas ações ofensivas. Sem nada a perder, abandonou a estratégia de marcar em seu próprio campo e passou a perseguir o empate. Rondou muito a área, mas o gol não veio.
No segundo tempo, Léo Paraíba entrou na vaga de Marco Goiano e o time cresceu muito, acuando o Papão, trabalhando sempre em velocidade. É bem verdade que o domínio não foi por força de planejamento tático. Veio pela garra dos jogadores, estado de ânimo que contrastava com visível lentidão dos bicolores. Welton entrou aos 20 minutos no lugar de Yuri e o time ficou mais forte na frente, passando a atacar até com seis jogadores.
O Papão já tinha Leandro Cearense e Bruno Veiga em campo, substitutos de Betinho e Marcelo Costa. Em lance na área azulina, aos 26, a bola foi cabeceada por Cearense no braço do zagueiro Ítalo, mas Joelson Cardoso entendeu como lance involuntário. Questão interpretativa. Achei pênalti.
A insistência azulina surtiu efeito. Aos 39 minutos, em bola enfiada por Léo Paraíba, Welton entrou na área e foi derrubado por Emerson, que saiu desesperado do gol. O goleiro levou o cartão vermelho e Eduardo Ramos converteu o pênalti.
Com um a mais, o Remo exagerou nas bolas rifadas da defesa e não conseguiu executar a estratégia correta para tentar a virada, permitindo até que o Papão ameaçasse nos instantes finais.
Na cobrança de penalidades, prevaleceu a competência dos cobradores alvicelestes. Leandro Cearense, Bruno Veiga, Augusto Recife e Rafael Luz converteram. No Remo, somente Eduardo Ramos. Léo Paraíba e Ciro chutaram mal, facilitando defesas
seguras do goleiro Marcão.
Em meio ainda à disputa nos penais, estourou uma briga entre os jogadores no meio-campo, revelando o despreparo emocional e a pouca consciência de quem representa duas camisas poderosas e muito amadas.
Mas, no fim das contas, o título fica nas mãos certas. O Papão não jogou bem, mas é o melhor time da competição até aqui.
Os melhores do jogo: Emerson, Augusto Recife, Capanema e Fabinho Alves (PSC); Levy, Henrique, Ciro e João Vítor (Remo).
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