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GERSON NOGUEIRA

Encruzilhada perigosa

Há quem no Remo defenda a tese, a título de apoiar o técnico Leston Junior, de que o time tem ainda muito a evoluir e que a formação atual se consolidará a tempo de fazer boa campanha no Brasileiro da Série D. Pode ser.  A essa altura, é injusto que se c

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Há quem no Remo defenda a tese, a título de apoiar o técnico Leston Junior, de que o time tem ainda muito a evoluir e que a formação atual se consolidará a tempo de fazer boa campanha no Brasileiro da Série D. Pode ser.

A essa altura, é injusto que se condene todo o trabalho desenvolvido até aqui por Leston, apesar dos muitos pontos falhos, pelo simples fato de que o atípico Campeonato Paraense é normalmente muito difícil para técnicos de primeira viagem.

Dado Cavalcanti, há um ano, sofreu bastante com as peculiaridades do torneio e cometeu erros que hoje seguramente não cometeria. Portanto, é perdoável que Leston esteja sofrendo com isso também.

O grande problema para o Remo é que o Parazão não pode ser encarado como uma competição qualquer. Em nome da tradição e da história, o clube já seria obrigado naturalmente a priorizá-lo. Ocorre que razões de ordem prática conduzem à obrigação de vencer a disputa.

Vejamos: o título estadual daria ao Remo presença assegurada na Copa Verde e na Copa do Brasil de 2017, além de significar a manutenção da hegemonia regional com o tricampeonato. Por outro lado, caso não conquiste o cetro máximo, o clube ficará dependendo de arranjos para disputar a Copa Verde e com participação incerta na Copa BR.

Há mais coisa em jogo. Depende decisivamente da conduta do time em campo a rentabilidade do programa de sócio-torcedor (Nação Azul). Nos últimos meses, o programa teve crescimento expressivo, mas é fato que sua força vem das vitórias e títulos no futebol.

Para que o time finalmente entre nos eixos e consiga convencer a torcida será necessária uma mudança de rumos, a partir da própria sistemática adotada pelo técnico. Não é crime utilizar três volantes, Zagallo fazia isso quase sempre, Parreira idem. O problema é arranjar maneiras de fazer com que os marcadores não se limitem a uma faixa do campo. Devem ter liberdade e categoria para auxiliar na criação e na cobertura aos laterais.

O Remo atual - que se atrapalhou todo para vencer o Parauapebas, superar o Independente, esbarrar no Papão e sofrer frente ao Paragominas - joga com três homens que raramente saem da função de protetores da zaga. E, na prática, protegem pouco. Sempre que o time é atacado acaba tendo grandes dificuldades.

Desde as primeiras rodadas, ficou evidente que enquanto não ajustar o meio, Leston terá uma equipe insegura e instável. Com marcação e criação bem arrumadas, o jogo vai fluir naturalmente e todos serão felizes - defesa mais fechada e ataque bem abastecido. Mas, se não há peças para executar essas tarefas, o problema já é outro.

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