Remo e Asa fizeram o jogo mais chinfrim da temporada no Mangueirão, e toda a responsabilidade pelo baixo nível técnico pertence aos remistas. Jogadas sem complemento, erros primários de posicionamento, overdose de passes errados, falhas grotescas de marcação, ausência de vida inteligente no meio-de-campo e indigência ofensiva.
Parece impossível um time ter tantos defeitos de uma só vez. Pois o Remo de ontem à noite conseguiu esse questionável feito. Começou o jogo capengando no acompanhamento das jogadas em velocidade do Asa, que tomou conta da intermediária azulina posicionando o veterano Ramalho como organizador e tendo lá no comando do ataque o grandalhão Jefferson Baiano.
Depois de umas três manobras perigosíssimas em cima do lateral direito Murilo, o Asa chegou ao gol em cruzamento perfeito para o cabeceio fulminante de Jefferson, aos 17 minutos. Travado, o Remo não saía para o jogo. Quando tentava, a bola espirrava ou rebatia na canela dos próprios azulinos, aparentemente atordoados com os gritos de incentivo dos 14 mil torcedores nas arquibancadas.
A vantagem imposta pelo Asa logo de cara foi se consolidando ao longo do primeiro tempo, pois apenas Eduardo Ramos demonstrava lucidez em jogadas pelo meio da defesa do Asa, mas padecia da falta de acompanhamento. Allan Dias, que deveria ser o parceiro nessas investidas, ficou sem função pelo lado esquerdo do ataque, perdendo todas para a zaga adversária.
Fernandinho até evoluía com a bola, mas sem ela virava presa fácil para a marcação, isolado entre os zagueiros. Ciro não apareceu em campo. Isto é, quando apareceu foi por três impedimentos seguidos.
Por isso, não surpreende que, em meio a essa barafunda, a única tentativa válida foi num chute forte de Eduardo Ramos, que passou perto do travessão.
Quando se esperava que Marcelo Veiga providenciasse mexidas drásticas para tentar sacudir o time e dar uma injeção de ânimo, tudo permaneceu como dantes. A primeira substituição só veio aos 5 minutos, quando Sílvio entrou no lugar de Ciro.
O Asa seguia ditando o ritmo, sem se afobar, tocando a bola com rapidez e correção. Um jeito inteligente de gastar o tempo e cansar o Remo, que sofria com a marcação deficiente por parte dos volantes Lucas e Yuri e com o imenso buraco nas duas laterais - Fabiano e Murilo disputavam quem era o pior em campo.
Rápido e driblador, Sílvio trouxe uma chama de esperança, mas logo se apagou também por absoluta falta de jogadas no ataque. O Remo só ameaçava quando Ramos pegava na bola e partia em direção à área. O problema é que, vigiado sempre por dois marcadores, o meia foi cansando e no final apenas caminhava em campo.
João Victor seria a próxima atração, substituindo a Allan, que deixou o gramado sob intensas vaias. Talvez não tenha sido o maior culpado pela baixa eficácia dos ataques do Remo, mas contribuiu bastante. Héricles, que entrou a cinco minutos do fim, conseguiu ser bem mais produtivo. Nos acréscimos, quase empatou, mas o chute saiu à esquerda do gol. Sílvio, de puxeta, ainda mandou uma bola no travessão. Fernando Henrique cabeceou rente ao poste. E terminava assim, de forma melancólica, a primeira apresentação do Remo diante de sua torcida nesta Série C.
Pelo que mostrou, todas as esperanças de acesso ficaram
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