plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 32°
cotação atual R$


home
GERSON NOGUEIRA

Entre a F1 e a carroça

A Eurocopa entra em sua fase decisiva, com quatro semifinalistas já definidos (Alemanha, Portugal, País de Gales e França) e algumas evidências que o futebol brasileiro – para o seu próprio bem – não pode fingir não ver. A mais importante diz respeito à m

twitter Google News

A Eurocopa entra em sua fase decisiva, com quatro semifinalistas já definidos (Alemanha, Portugal, País de Gales e França) e algumas evidências que o futebol brasileiro – para o seu próprio bem – não pode fingir não ver. A mais importante diz respeito à maneira de praticar o jogo. Rapidez, aproximação e intensidade são as palavras de ordem. Acabou o tempo do futebol acomodado, dos passes laterais e das jogadinhas inúteis nas zonas mortas do campo.

Há um choque quando o cidadão termina de assistir um jogo da Eurocopa e troca de canal para ver qualquer confronto da Série A brasileira. É como se os europeus estivessem andando de F1 e o futebol brazuca indo de carroça. A diferença é tão acentuada que por vezes chega a parecer que são esportes diferentes.

Por aqui prevalece a máxima do devagar-quase-parando. A única jogada que os técnicos apreciam é o famigerado chuveirinho, que Oto Glória, Vicente Feola e Gentil Cardoso já usavam lá pelos idos de 1950, 1960.

As datas retratam o marasmo tático que se apoderou do Brasil ao longo das últimas décadas. Enquanto os demais centros se esmeram em evoluir e descobrir saídas para um esporte que parecia estagnado, os treinadores nacionais se fecham nas velhas práticas, agarrados ao defensivismo que em nada combina com a essência boleira do país pentacampeão do mundo.

Há mais de 10 anos os europeus têm adotado inovações simples como a utilização de homens originalmente de meio para jogar na última linha de defesa, para distribuir os passes corretamente desde o começo das jogadas.

Aprenderam também que os bons volantes devem ser tão hábeis e inteligentes quanto os armadores do passado. A rigor, não existem mais volantes exclusivamente marcadores. Times como o da Alemanha jogam com dois meias avançados e um mais recuado, quase como um líbero (também invenção deles) de antigamente. Marcam, mas sabem passar e criar jogadas.

O ataque não tem homens fixos, mas é povoado a todo instante. Os dianteiros podem irromper pelo meio ou reencarnar os pontas que o Brasil aposentou. Todas as seleções, até as mais modestas, atuam assim, mas o fenômeno é particularmente visível na nova Itália de brasileiros como Éder e Pellé; na Bélgica de Hazard; na França de Pogba, Payet e Griezmann; na Alemanha de Müller, Özil e Draxler.

Cabe aqui acentuar que o nível desta Eurocopa não é particularmente brilhante, mas a inventividade merece aplausos. Há um claro período de entressafra num futebol que abraça o novo, fazendo até com que os ainda jovens alemães campeões do mundo já pareçam veteranos.

Outro aspecto que merece reflexão é a inexistência de um fosso técnico entre nós e eles. Essa foi a razão da hegemonia brasileira nas Copas. Os grandes bambas nasciam daqui e eles tinham que se contentar com esquemas fechados para deter os bailarinos da época de ouro do futebol brasileiro. Isso, definitivamente, é passado.

Vi País de Gales e Rússia na fase de classificação da Eurocopa e fiquei bestificado com a extrema habilidade e facilidade para dribles dos jogadores britânicos, algo impensável até o começo dos anos 90.

Isto significa apenas que os europeus se credenciam a dominar o futebol, não só na parte gerencial e administrativa. Para tornar tudo mais difícil, eles também aprenderam as manhas do futebol moleque, a ponto de o antes desengonçado Mario Gomez tentar (e quase acertar) um toque de letra diante do veterano Buffon no clássico do último sábado.

Nenhum atacante brasileiro se arriscou a fazer esse tipo de saudável molecagem nas últimas três Copas.

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Gerson Nogueira

    Leia mais notícias de Gerson Nogueira. Clique aqui!