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GERSON NOGUEIRA

Com gana e sem CR7, lusos conquistam a Europa

O futebol tem suas próprias leis e é dado a caprichos. De vez em quando, costuma frustrar expectativas. Portugal conquistou a Eurocopa sem ser o melhor time da competição, mas com o mérito de haver superado todos os obstáculos com gana e excepcional força

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O futebol tem suas próprias leis e é dado a caprichos. De vez em quando, costuma frustrar expectativas. Portugal conquistou a Eurocopa sem ser o melhor time da competição, mas com o mérito de haver superado todos os obstáculos com gana e excepcional força mental.

Disputou quatro prorrogações, sobreviveu aos altos e baixos da equipe e chegou à final quase como um penetra. A vitória sobre a França foi sofrida, a começar pela perda de Cristiano Ronaldo logo no começo do jogo, mas suficiente para avalizar o título inédito.

Sobre a saída de CR7 deve-se dizer que despertou no time português um espírito de solidariedade ainda mais forte. O que podia ser o fim dos sonhos tornou-se a senha para buscar o triunfo a qualquer custo. O esforço de marcação redobrou, o time se protegeu nos toques laterais e recuos para o goleiro Rui Fabrício e foi levando o jogo à espera da tal “uma bola”.

Sofreu muita pressão ao longo dos 90 minutos (chutou 5 bolas a gol contra 17 dos franceses), quase não ameaçou Lloris, mas teve sempre firmeza e altivez para seguir acreditando. A perseguição ao gol era exclusivamente em lances de contra-ataque ou bola parada.

Foi assim que a seleção lusa quase chegou lá na cobrança de falta de Rafael Guerreiro no começo da prorrogação. A bola estourou no travessão. Logo depois sofreu um tremendo susto com o disparo de Gignac que bateu no poste direito de Patrício. O goleiro ainda defenderia um arremate fortíssimo de Matuidi de fora da área.

Veio então a jogada rápida, rasteira e fulminante que deixou Éder livre à entrada da área. O atacante dominou e chutou no canto direito da meta francesa, confirmando previsão de Cristiano Ronaldo antes de sua entrada em campo.

Um título inédito, que ajuda a esquecer a tristeza de 2004 (quando o título europeu escapou dentro de casa) e confirma a liderança absoluta de Cristiano Ronaldo no elenco português. Se já era ídolo, virou mito pela maneira como regeu o time nos instantes decisivos e encorajou seus companheiros, torcendo nervosamente. Um tremendo exemplo.

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