Muita gente está impressionada com a transformação sofrida pelo Papão em apenas três dias. Depois de uma apresentação desplugada no sábado, diante do Vila Nova-GO, na Curuzu, o time emergiu para uma atuação taticamente impecável contra o Criciúma, em Santa Catarina.
Dizer que a mudança de postura se deveu apenas à saída de Gilmar Dal Pozzo é um exagero, além de óbvia injustiça. Apesar das críticas pela sequência de empates, o técnico – que saiu invicto há 11 partidas - foi o principal construtor do esquema que garantiu a solidez defensiva adquirida pelo time.
Ao mesmo tempo, é negável que a mágica que fez do Papão uma equipe finalmente competitiva e equilibrada entre defesa, meio-campo e ataque tem muito a ver com a presença de Rogerinho Gameleira.
O ex-volante é respeitado pela competência profissional e pelo conhecimento que tem do elenco do Papão. Não opera milagres, mas chegou perto disso anteontem.
Sem poder ministrar treinamentos de campo, teve de trabalhar mais o aspecto psicológico e emocional, o que só valoriza o resultado alcançado em tão curto espaço de tempo.
O fato é que algo realmente muito forte fez com que, do sábado para a terça-feira, o time mudasse da água para o vinho, mostrando um futebol nunca visto nesta Série B. A atuação, pela intensidade e disciplina tática, superou até a da vitória sobre o Vasco em São Januário.
Ao contrário da indigência ofensiva que marcou a gestão Dal Pozzo, o Papão de Rogerinho foi solidário e incansável nos deslocamentos rumo ao ataque e na rapidez para se reposicionar quando era pressionado pelo Criciúma.
E cabe lembrar que a pressão dos donos da casa foi constante. Acontece que o setor defensivo apareceu sempre bem calibrado, jogando em perfeita sintonia com os homens de meio e ataque.
Sumiu até a insegurança que vinha marcando a zaga nas três partidas anteriores (seis gols sofridos contra CRB, Juventude e Vila Nova). Os volantes funcionaram com extrema eficiência, principalmente Ricardo Capanema, muito mais atento ao desarme e à bola do que em cometer faltas.
Acima de tudo, o Papão teve pela primeira vez nesta Série B um meia-armador para chamar de seu. Tiago Luís liderou as ações criativas no meio-campo, distribuindo passes com precisão e rapidez, além de se apresentar para finalizações.
Pela dinâmica que proporcionou ao time, o camisa 10 foi o nome do jogo. Além da desenvoltura para passes e lançamentos, foi autor do belíssimo chute no segundo gol alviceleste, desde já um dos mais bonitos da competição.
O jogo deixou no ar duas questões importantes.
A primeira diz respeito ao desafio de preservar o espírito guerreiro e a postura determinada exibida nos dois tempos.
A segunda é, indiscutivelmente, a responsabilidade que fica para Dado Cavalcanti nesse retorno ao comando, depois da excepcional atuação de terça-feira.
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