Um campeonato desenxabido desde o começo se encaminha para inevitável anticlímax com a virtual conquista antecipada do título pelo Palmeiras. As últimas rodadas carecem do tempero necessário para adicionar um sopro de emoção à disputa. São as mazelas dos campeonatos de pontos corridos, indiscutivelmente meritórios, mas quase sempre insossos nos momentos decisivos.
Líder ao longo de toda a competição, o Palmeiras mantém confortável dianteira de seis pontos, embora o segundo colocado (Santos) se apresente com apetite e competência para ainda sonhar com o título.
A verdade é que, a não ser pelo equilíbrio visto no fim do primeiro turno, quando o Flamengo ficou bem próximo de roubar a liderança, o Palmeiras navega em águas calmas, sem jamais ter sofrido um bafo tão forte de pressão.
Isso garantiu ao time armado por Cuca ir atravessando a competição com razoável tranquilidade, apesar das muitas limitações que apresenta. O jovem Santos de Dorival Junior ultrapassou o Flamengo na rodada deste fim de semana, mas tirar seis pontos de diferença a quatro rodadas (12 pontos em disputa) do fim é tarefa das mais ingratas.
Mais consistente e confiante, o Palmeiras tem uma sequência aparentemente mais cômoda que a do Santos. Dependendo exclusivamente de suas próprias forças, jogará em Belo Horizonte contra o Atlético na próxima rodada, recebendo depois Botafogo e Chapecoense, saindo para enfrentar o Vitória em Salvador na última rodada. Precisa de duas vitórias para levantar a taça.
O Santos joga contra o Vitória na Vila Belmiro, Cruzeiro no Mineirão, Flamengo no Maracanã e América-MG na Vila. Precisa vencer todas as partidas e torcer para que o Palmeiras faça muita lambança a partir de agora, coisa que não ocorreu ao longo de 34 rodadas.
Para o Flamengo, terceiro aspirante ao título, o grau de dificuldade é ainda maior para superar o Palmeiras. A sete pontos do líder, cumpre o seguinte trajeto final no campeonato: América-MG em BH, Coritiba e Santos no Maracanã e Atlético-PR em Curitiba.
O futebol costuma pregar peças e desafiar a lógica, mas em pontos corridos dificilmente ocorre uma reversão de expectativa na fase terminal de um campeonato. O Palmeiras, em condições normais de temperatura e pressão, já pode mandar fazer as faixas e estocar os fogos.
Por outro lado, reforça-se a impressão de que o modelo europeu de campeonatos adotado desde 2003 pela CBF deixa sempre um quê de frustração, por privar a torcida da confrontação final entre dois adversários em igualdade de condições para levantar o título.
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