O rico e afamado futebol europeu não poupa gestões negligentes, deficitárias e arcaicas. O trio de ferro de Portugal – Benfica, Sporting e FC Porto – atravessa o que já é visto como o pior momento de sua história, com prejuízos que se acumulam a cada ano, endividamento excessivo, salários nas alturas e baixo nível técnicos dos times.
Reportagem assinada por André Dias, do site Finance Football, traça uma radiografia nada lisonjeira das grandes equipes lusitanas. O problema, segundo ele, começa pelo hábito de viver acima de suas possibilidades para tentar competir com os gigantes espanhóis, ingleses e italianos.
O momento é crítico e não se descarta o risco de falência dos clubes. Nem mesmo as rígidas normas estabelecidas pela Uefa quanto a gastos e controle orçamentário será capaz de salvar o trio.
O site Finance Football analisou os balanços de Benfica, FC Porto e Sporting na última década. O bom desempenho nos torneios europeus e as grandes receitas auferidas com venda de jogadores deixaram a falsa impressão de que tudo estava sob controle. Puro engano. Os analistas avaliam que os três grandes estão hoje com a corda no pescoço.
O Porto surge como clube mais dependente do dinheiro das competições da Uefa. Apenas o Sporting conseguiu resultados financeiros positivos sem precisar da Uefa na última década. Já o tradicional Benfica, dono do maior programa sócio-torcedor do mundo (mais de 230 mil associados), tem suas contas tisnadas de vermelho sempre que perde as receitas oriundas das competições europeias.
Pela tabulação imposta pela Uefa, os clubes só conseguem permanecer sustentáveis se os salários não excederem 70% das receitas. Os gigantes portugueses até sabem disso, mas insistem em desafiar a regra.
Com isso, fica evidente o peso das transações de atletas com os clubes mais ricos do continente. Nem sempre, porém, a safra permite negócios rentáveis, o que redobra a necessidade de boas campanhas nos torneios da Uefa. Aí, então, uma bola fora ou um pênalti bobo pode representar um tremendo prejuízo nas contas e na imagem pública das três instituições.
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