Depois de quase 130 anos da abolição da escravatura no Brasil, o trabalho análogo ao de escravo ainda existe. Segundo o Índice Global de Escravidão (2016), publicado pela Fundação Walk Free, mais de 161 mil brasileiros vivem sob condições degradantes, jornada exaustiva, trabalho forçado e com os direitos trabalhistas impedidos. Para alertar a população da situação e oferecer informações, diversas entidades trabalhistas do Pará estiveram reunidas, na manhã de ontem, na Praça Batista Campos em uma ação de conscientização.
O evento foi organizado pela Delegacia Sindical dos Auditores Fiscais do Trabalho no Pará (DS/PA, Associação dos Auditores Fiscais do Trabalho no Pará (Assintra/PA), e entidades integrantes da Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo.
Segundo o juiz do trabalho Jônatas Andrade um fator que agrava o problema é a invisibilidade que se tem. “O escravo de hoje não tem mais correntes nos pés e nas mãos, então esse tipo de trabalho é mais sutil”, alertou. Andrade diz que o escravo contemporâneo é aquele empregado que vive constantemente endividado com o patrão, submetido a jornadas exaustivas e sente que não há possibilidades de sair dessa situação.
A ação contou também com mutirão de documentos, promovido no prédio do Ministério do Trabalho do Estado, na rua dos Mundurucus. Muitas pessoas chegaram bem cedo para garantir sua senha e poder tirar a carteira de identidade ou de trabalho. A jovem estudante Wendy Oliveira, 19 anos, soube da ação pelo Diário Online e foi atrás da carteira de trabalho. “Cheguei 6h para garantir minha vaga, mas valeu a pena porque agora posso ir atrás de um emprego regularizado”, disse.
(Alice Martins Morais/Diário do Pará)
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