O futebol, como a vida, às vezes avança quando dele menos se espera. É tão forte que consegue dar passos evolutivos em meio à mais inclemente das pindaíbas. Por força da necessidade, a dupla Re-Pa parece parece de repente ter redescoberto o imenso celeiro de jovens jogadores, quase sempre inaproveitado em épocas de bonança econômica.
A mudança de filosofia mais óbvia se verifica no Remo. Atordoado pelas dívidas (trabalhistas e fiscais, principalmente) e na iminência de perder patrimônio, o clube lançou mão do que as divisões de base produziram nos últimos cinco anos.
No Papão, a situação é um pouco mais tranquila. Não há o desespero por obter receita que tanto assola o rival, mas existem problemas de natureza técnica. Nos tempos bicudos ora vividos pelo futebol brasileiro, garimpar bons jogadores no mercado da bola virou uma quase loteria.
E é justamente aí que desponta a importância dos boleiros feitos em casa. Na Curuzu, alguns se destacaram aliando sucesso junto à torcida com a valorização externa, como Yago Pikachu, que não rendeu dinheiro ao clube, mas foi importantíssimo enquanto defendeu a camisa alviceleste.
No confronto de sábado em Paragominas, válido pela 10ª rodada do Campeonato Estadual, o Remo alinhou nada menos que 10 atletas caseiros: Jefferson, Tsunami, Max, Lucas Vítor, Gabriel Lima, Felipe, Luís Cláudio, Caio, Jaquinha e Fininho.
O nobre leitor e baluarte há de ponderar que isso ocorreu porque o técnico Josué Teixeira não tinha outra saída, com tantos titulares lesionados e suspensos. Acontece que, em outros tempos, até recentes, o elenco estaria recheado de sucatas importadas de outras praças. Atletas inferiores (e mais caros) aos jogadores regionais.
Sem dinheiro em caixa, a nova diretoria arranjou soluções simples e caseiras, fugindo aos custos de contratações duvidosas. Foi assim que, além dos moleques da base, o Remo manteve Flamel e trouxe os laterais Léo Rosa e Jaquinha, talvez suas duas melhores contratações no ano.
Diante de cenário tão educativo, é razoável perguntar: por que os dirigentes não pensam sempre em alternativas que sejam compatíveis com as finanças dos clubes¿ Será preciso sempre atravessar uma crise braba para enxergar as saídas mais inteligentes e sensatas¿ Que todos aprendam a lição deste começo de 2017: os jovens “bastardos” das divisões de base merecem mais atenção, respeito e oportunidade.
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