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GERSON NOGUEIRA

Um empate amargo

Incapaz de superar a forte retranca do Juventude, sábado à tarde, o Papão se conformou com o empate sem gols, completando quatro jogos seguidos sem vitória na Série B. O tropeço aprofundou a crise, forçou a saída do técnico Marcelo Chamusca e fez o time –

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Incapaz de superar a forte retranca do Juventude, sábado à tarde, o Papão se conformou com o empate sem gols, completando quatro jogos seguidos sem vitória na Série B. O tropeço aprofundou a crise, forçou a saída do técnico Marcelo Chamusca e fez o time – que já esteve liderança do campeonato – cair para a 10ª colocação.

Desde os primeiros minutos, o jogo adquiriu um panorama que não mudou até o final. O Papão tinha a posse de bola e atacava muito, mas não conseguia ultrapassar as duas linhas de marcação montadas por Gilmar Dal Pozzo. O Juventude se mantinha atrás, sem se expor a maiores riscos e fazendo de vez em quando uma investida em contra-ataque.

Mesmo com essa postura cautelosa, o time gaúcho teve mais chances de gol no 1º tempo. O centroavante Tiago Marques esteve perto de marcar aos 12, aos 15 e aos 40 minutos. Na melhor oportunidade, ficou cara a cara com Emerson, mas pegou mal na bola, que saiu à esquerda da trave.

De sua parte, o Papão se atrapalhava nas próprias pernas. Apesar de ter campo livre para tocar a bola até a intermediária adversária, errava muitos passes e finalizações. Diogo Oliveira, encarregado de armar as jogadas, só apareceu no jogo ao disparar de fora da área, aos 22 minutos, fazendo o goleiro Mateus espalmar para escanteio. Depois disso, sumiu de novo.

Com cinco baixas importantes (Felipe Gabriel, Leandro Carvalho, Rodrigo Andrade, Augusto Recife e Wellinton Jr.), Chamusca foi obrigado a mexer na estrutura da equipe e optou pelas mudanças erradas. No meio-campo, por exemplo, preferiu Renato Augusto, pouco dinâmico, a Jonathan, que tem boa presença ofensiva.

Manteve Marcão na frente, com Bergson mais recuado. Como esperado, o artilheiro da equipe na temporada se movimentou pouco, sem arriscar nenhuma finalização. Já o centroavante completou oito jogos sem balançar as redes e teve atuação discreta. Sua participação mais destacada foi aos 25’ da etapa final quando desviou de cabeça e a bola quase entrou. O problema é que o cabeceio foi contra a trave bicolor.

No afã de sufocar, Chamusca chegou a ter quatro atacantes em campo – Bergson, Marcão, Daniel Amorim e Lucas Taylor. O mais produtivo foi Lucas, que buscou a linha de fundo e cruzou com perigo duas vezes. A insistência era inócua porque o repertório se resumia a cruzamentos, facilmente neutralizados pela zaga e pelo goleiro do Juventude.

Como o time não elaborava jogadas, o gol quase veio em lances fortuitos. Após rebote, Perema mandou a bola no travessão. Minutos depois, a bola resvalou no zagueiro e passou rente à trave de Mateus. Talvez para dar um toque de emoção à partida, o goleiro do Juventude soltou uma bola na área, aos 45’, mas Daniel Amorim não chegou a tempo para aproveitar.

No fim das contas, um resultado que só foi festejado pelo visitante, que veio a Belém disposto a não perder e cumpriu bem o plano de jogo. O Papão confirmou as piores impressões deixadas nas rodadas anteriores: um time frágil no meio-campo e inofensivo no ataque. Chamusca, contestado pela torcida, sai sem conseguir montar um time razoavelmente confiável.

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