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GERSON NOGUEIRA

A legalização da zorra

Remo e Sampaio Corrêa travam a polêmica da semana, discutindo se Edgar e Pimentinha podem ou não atuar com a camisa azulina no jogo da próxima rodada contra o Bolívia maranhense. A cada nova história que surge sobre um suposto acordo de cavalheiros entre

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Remo e Sampaio Corrêa travam a polêmica da semana, discutindo se Edgar e Pimentinha podem ou não atuar com a camisa azulina no jogo da próxima rodada contra o Bolívia maranhense. A cada nova história que surge sobre um suposto acordo de cavalheiros entre os presidentes das duas agremiações fica evidente que não há nenhum papel assinado respaldando a exigência do Sampaio.

Aliás, há alguns anos, a Fifa já se manifestou sobre a estranha pretensão de clubes que decidem proibir que ex-atletas os enfrentem. Por absurda e ilegal, afrontando contra as garantias profissionais dos atletas, essa norma não escrita foi banida pela entidade no mundo inteiro.

No Brasil, porém, onde tudo sempre encontra uma brecha, dona CBF incluiu – por sua conta e risco – um monstrengo no regulamento de transferências, sacramentando esse descalabro. Pior que isso: determinou que acordos tácitos têm amparo legal, mesmo quando não venham acompanhados de documentação por escrito.

É a legalização da zorra, pois no fim das contas fica valendo a palavra de um contra o outro, exatamente como se verifica agora na pinimba entre azulinos e bolivianos. O dirigente do Sampaio garante que cedeu Edgar e Pimentinha sem ônus, com a promessa (do técnico Josué Teixeira, que já deixou o Remo) de que não enfrentariam seu time durante a Série C.

De sua parte, o Remo garante que não há nada escrito, o que lhe daria o direito de escalar os jogadores. É uma interpretação muito singular do artigo que trata dessa questão no regulamento de transferências. A lógica do Direito dá guarida aos argumentos remistas, mas o bom senso manda que cumpram o que a CBF determina.

Como já dizia um antigo político local, lei no Brasil é potoca e os clubes paraenses têm um longo histórico de litígios desfavoráveis nos tribunais desportivos. Caso seja penalizado, o Remo pode perder 6 pontos.

É bom observar, ainda, que outros clubes brasileiros, inclusive da Série A, vêm se submetendo à estapafúrdia norma, receando punições. Palmeiras e Corinthians fizeram isso recentemente.

Ao Remo caberia buscar um acordo para a liberação pelo Sampaio de pelo menos um dos atletas para o jogo ou optar por um outro ataque, com Gabriel Lima e Luiz Eduardo (atacante contratado ontem junto à Caldense).

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