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GERSON NOGUEIRA

Talento desperdiçado

O Papão cansou de Leandro Carvalho. Foram concedidas inúmeras chances, mas não houve jeito de enquadrar o atleta no nível de profissionalismo que o clube tem buscado exercitar nos últimos anos. Esta é  a posição oficial da diretoria, exposta ontem depois

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O Papão cansou de Leandro Carvalho. Foram concedidas inúmeras chances, mas não houve jeito de enquadrar o atleta no nível de profissionalismo que o clube tem buscado exercitar nos últimos anos. Esta é a posição oficial da diretoria, exposta ontem depois de reunião para analisar a situação.

Leandro é jovem – 22 anos de idade e pouco mais de três como profissional –, tem possibilidades de seguir ganhando a vida com o futebol, talvez até engrenando em outro clube. É triste, porém, que esteja em disponibilidade no clube que o revelou e projetou.

As falhas de comportamento se acumularam desde que se profissionalizou. Atrasos e faltas aos treinos. Participação em torneios de peladeiros na periferia da cidade quando estava oficialmente entregue ao departamento médico. Descumprimento de normas internas e até “bolo” na apresentação à Tuna, clube ao qual havia sido cedido por empréstimo no ano passado.

Os seguidos imbróglios e polêmicas envolvendo o atleta vinham sendo assimilados pela diretoria, mas chegaram a um nível de esgotamento que nem o talento e a habilidade em campo conseguiram superar.

Não por acaso, todos os técnicos recentes lavaram as mãos e preferiram não contar com Leandro, que havia aparecido bem na final da Copa Verde 2015 (marcou até gol diante do Brasília) e vinha numa boa sequência desde o final de 2016. Era até o começo da Série B o principal jogador da equipe.

Atacante dotado de bons recursos – chute e dribles, principalmente –, Leandro arrancou elogios públicos de Dorival Jr., então técnico do Santos, após as partidas válidas pelas oitavas de final da Copa do Brasil deste ano.

Nem mesmo a possibilidade de obter projeção na Série B para uma transferência internacional fez o eterno rebelde se comportar. Nos últimos dias, ele tem treinado na Curuzu, mas já não faz parte dos planos para o restante da temporada.

Ao falar em Leandro, logo vem à mente o exemplo de jogadores como Jóbson e Arinelson, igualmente habilidosos, que sacrificaram carreiras promissoras, vitimados pela má formação inicial e ausência de preparo para enfrentar os desafios do futebol profissional.

Em outros tempos, carreiras eram preservadas pela lei do silêncio imposta pelo paternalismo reinante nos clubes. Foi assim que craques como Heleno de Freitas e Mané Garrincha atingiram a glória, no Botafogo e na Seleção. O auge durou pouco para ambos, cujas trajetórias se encerraram de maneira trágica.

Os tempos românticos passaram. Não resta mais lugar para os problemáticos. O rigor da moderna gestão dos clubes barra jogadores indisciplinados, de formação deficiente.

A questão é: a quem responsabilizar pelo desperdício de atletas com potencial tão evidente e expressivos, que deixaram de ser acompanhados de perto quando davam os primeiros passos? E a quem enviar a conta do prejuízo?

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