João Saldanha faria hoje 100 anos. Nasceu em Alegrete (RS) no dia 3 de julho de 1917. Sua ausência – desde 1990 – é sentida até hoje no cenário do jornalismo e da própria vida política brasileira. Sim, Saldanha extrapolava os limites da análise de futebol. Desassombrado, declarava publicamente suas convicções e jamais se curvou ante os poderosos. E fez tudo isso em plenos anos de chumbo, quando a ditadura militar não poupava ninguém.

Com a coragem habitual, ele assumiu o posto de comandante do escrete brasileiro com um simples e característico “topo” quando convidado pela então CBD. Enfrentou muitos problemas internos na Seleção, desafiou patrulhas ideológicas insanas – semelhantes ao que se vê hoje no país marcado pela intolerância – e montou um timaço para as Eliminatórias.

As feras do Saldanha foram o embrião da portentosa Seleção que brilhou em campos mexicanos um ano depois. Zagallo pegou o bonde andando, mas quem acompanhou a passagem de João Sem Medo pelo escrete sabe que aquele time carregava as suas digitais.

Um grande homem, um brasileiro que fazia a diferença. Saudades eternas.

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