Toda a celeuma gerada pela anulação do pênalti marcado contra o Flamengo, quarta-feira, na Vila Belmiro, deveria servir para que CBF e clubes rediscutissem a sério o papel da arbitragem no Brasil. Infelizmente, o comportamento inadequado tanto do árbitro (ao consultar o 4º árbitro) quanto do Santos (ao acusar sem provas) vai gerar apenas mais uma polêmica vazia, sem relevância para o futuro das competições no país.
Esdrúxula pela maneira como foi construída, a situação revela critérios desiguais por parte dos árbitros. As críticas derivam do fato de que nenhum pênalti duvidoso ou inexistente havia sido desmarcado antes. A decisão foi tomada em situação que envolvia diretamente o Flamengo, reabrindo velhas cismas quanto ao suposto protecionismo ao clube.
Para evitar injustiças, a interferência externa na arbitragem deve ser definitivamente proibida ou, então, estendida a todos os jogos. O papel da emissora de TV que paga o evento também precisa ser bem explicado. É improvável que a Globo tenha avisado o árbitro, mas também é difícil crer que o 4º árbitro tenha visto um lance rápido a 50 metros de distância, tendo ainda vários jogadores à sua frente, atrapalhando a visão.
O fato é que, nesse festival de lambanças, só quem sai manchada é a credibilidade da instituição futebol, cuja simplicidade de regras é agredida pela ação irresponsável de alguns. Nem 300 entrevistas de árbitros sobre o ocorrido, tentando explicar e até justificar o ato de Leandro Pedro Vuaden, serão capazes de consertar as coisas.
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