plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 24°
cotação atual R$


home
GERSON NOGUEIRA

Velho filme sem final feliz

Justo no dia do aniversário de um momento glorioso da história do Remo, o clube viu-se novamente por acontecimentos desfavoráveis e que retratam a grave crise administrativo-financeira que atravessa. Os jogadores se recusaram a treinar, insatisfeitos com

twitter Google News

Justo no dia do aniversário de um momento glorioso da história do Remo, o clube viu-se novamente por acontecimentos desfavoráveis e que retratam a grave crise administrativo-financeira que atravessa. Os jogadores se recusaram a treinar, insatisfeitos com o atraso de salários. A situação pode colocar em perigo o futuro do time na Série C.

Na quarta colocação do grupo A e dentro da zona de classificação à próxima fase, o Leão tem 18 pontos e mantém vantagem de apenas um ponto sobre o quinto colocado (Salgueiro, 17). O cenário se complica mais em função dos dramas internos que podem afetar o desempenho em campo.

O filme é velho, mas insiste em se repetir. Como sina, o Remo reproduz desacertos administrativos, atrasando salários de atletas, comissão técnica e funcionários e submetendo-se a eventos constrangedores, como a paralisação decidida pelos jogadores, ontem à tarde, no Baenão.

Quem acompanha o Remo já sabe o que sempre ocorre no 2º semestre. A crônica falta de recursos para manter um time com folha salarial acima das possibilidades explode sempre no meio da competição mais importante, problema que já arruinou campanhas anteriores.

No ano passado, por exemplo, fustigado por problemas da mesma natureza, o time chegou à reta decisiva da Série C com chances de obter o acesso, mas sucumbiu à falta de pagamento aos atletas e ao consequente desânimo em campo.

Por coincidência, os mesmos dirigentes que criticavam gestões passadas por erros desse porte incorrem em pecados semelhantes. A ciranda é a mesma de sempre: salários atrasam porque as rendas sofrem bloqueio de 40% para pagamento de dívidas trabalhistas e não há outro meio de levantar recursos.

O time, que começou cambaleante na Série C, experimenta raro momento de estabilidade desde a chegada do novo treinador, Léo Goiano. Mesmo sem encantar a torcida, permanece invicto há quatro rodadas.

Na seara interna, a recente campanha eleitoral – vencida por Manoel Ribeiro – teve como fator decisivo junto aos sócios a promessa de que "um milionário" iria apoiar a gestão. Até o momento, o mecenas não deu as caras e a pindaíba começa a cobrar um preço alto demais, provando que o Remo não pode mais viver de salvadores da pátria. Para sobreviver no futebol atual é preciso se organizar e trabalhar sério.

Em tempo: a data festejada ontem foi a do aniversário do amistoso entre Remo e Benfica, disputado há 49 anos num Evandro Almeida entupido de gente. Torres, um dos principais jogadores da Europa à época, marcou para os encarnados. Amoroso, ídolo do Leão, empatou a partida.

O amigo Edyr Augusto, que foi ao jogo, conta que o Remo deu a saída e a bola caiu com o ponta Zé Ilídio. Ele avançou e cruzou com perigo, alvoroçando a torcida e inquietando Oto Glória, técnico do Benfica, que mandou reforçar a marcação. Zé Ilídio não pegou mais na bola. Antes do jogo, como rezava a tradição, o craque Eusébio vestiu a camisa azulina.

Hoje, meio século depois, o Remo contabiliza os custos de seus próprios erros e teimosias. Caso pudesse se olhar no espelho, o Leão iria ver as marcas do tempo e lamentar não ter mais nem um estádio para chamar de seu – visto que o Baenão foi destruído por um ex-presidente.

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Gerson Nogueira

    Leia mais notícias de Gerson Nogueira. Clique aqui!