Bergson tem sido uma exceção na conturbada campanha alviceleste no Brasileiro. Com faro de goleador, marcou seis vezes e participou diretamente de outros três gols, tendo ainda desperdiçado um penal – contra o Londrina. Contribuições valiosas para um time que se caracteriza por um ataque quase inofensivo, com centroavantes que não conseguiram emplacar e jogadores de lado improdutivos.
Passou várias partidas de fora no começo da competição, recuperando-se de lesão sofrida ainda na Copa Verde. Quando voltou, custou a entrar no ritmo de competição, passando em branco em vários jogos. Sem explosão, limitava-se a ficar entre os zagueiros, com pouca participação nas jogadas de definição. Aos poucos, foi retomando a melhor forma e assumiu o protagonismo da equipe.
Apesar de jovem ainda, Bergson tem experiência de passagens por equipes de torcidas exigentes, como Inter, Grêmio e Náutico. Essa bagagem tem sido de extrema valia na relação com a Fiel bicolor, sempre pronta a cobrar bom futebol e comprometimento.
Pode-se dizer hoje, sem erro, que Bergson é o destaque individual de um time que busca se consolidar no aspecto coletivo, apesar de seguidos tropeços em casa. Com ele em campo, o Papão ganha em personalidade e até em atrevimento. Seus companheiros primam por um excesso de timidez que não combina com a vibração própria da camisa alviceleste.
Até chutes de fora da área rareiam quando Bergson não está em campo. Quem arrisca, sempre está passível de errar, mas o artilheiro tem tido um aproveitamento acima da média, tanto quando arremata da intermediária – como no golaço contra o Oeste – como em jogadas combinadas dentro da área, como se viu no gol que deu a vitória ao Papão diante do Santa Cruz, no Recife.
O destemor é parte indissociável do repertório dos grandes anotadores. Como se sabe, atacante encabulado não faz gol. Bergson demonstra isso ao encarar as jogadas sem receio de vaias ou recriminações. Parte, resoluto e confiante, em direção ao gol, buscando um atalho imaginário entre a lateral do campo e o bico da área inimiga. Nem sempre chega ao objetivo, mas a tentativa é sempre válida.
Sua movimentação é benéfica também para os companheiros de ataque, pois abre espaços e ajuda a confundir a marcação. Pena que, por enquanto, essa postura não tenha se refletido em melhor desempenho dos centroavantes Marcão e Anselmo. Magno, que cai mais pelo lado esquerdo, tem sido mais produtivo, aproveitando-se dos deslocamentos de Bergson. O terceiro gol contra o Oeste prova isso.
Contra o Internacional, adversário em franca ascensão no campeonato e com uma torcida cada vez mais inflamada, Bergson terá uma dupla missão: fazer os gols necessários para uma importantíssima vitória fora de casa e transmitir confiança aos companheiros de time, evitando que o Papão venha a se amofinar no Beira-Rio.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar