Junior Amorim foi o convidado de ontem no programa Linha de Passe, na Rádio Clube, comentando o atual momento do futebol paraense. Exibiu o conhecimento prático de quem esteve por 22 anos dentro das quatro linhas e hoje se posiciona ao lado do campo, na condição de técnico.
Atento às opiniões dele sobre os nossos times, claras e substanciadas, fiquei a matutar sobre o que leva o futebol local a desprezar tantos profissionais valorosos, que se empenharam em aprender as manhas do ofício e se atualizar, mas não merecem chance nos grandes clubes.
No momento, o Remo vive a indefinição quanto ao novo treinador e vários nomes têm sido cogitados – Bonamigo, PC Gusmão e outros –, mas estranhamente Amorim nunca é sequer mencionado. A bem da verdade, nem chega a ser estranho. Esta é a velha tradição boleira no Pará.
Técnicos regionais parecem condenados eternamente ao limbo. Não contam com agentes ou empresários, não exigem altos salários e nem participam das transações para a vinda de “reforços” caros e improdutivos. Talvez por isso mesmo não atraiam a simpatia da cartolagem.
Amorim dirigiu o Pinheirense na Segundinha realizada no ano passado. Conseguiu a façanha de chegar ao título com um elenco reduzido e castigado pela crônica falta de recursos. Seu time tinha organização, jogadas ensaias e agressividade.
No Parazão, a situação ficou pior. Com a perda de vários atletas, a eliminação foi inevitável, mas o bom trabalho é até hoje reconhecido – menos pelos clubes e dirigentes.
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