A Copa do Brasil existe para dar ao futebol brasileiro um mínimo de emoção anual. Se o torneio não existisse, ficaríamos reféns do modelito comportado, bacaninha e justo dos pontos corridos nos campeonatos das séries A e B. Cada vez que vejo os jogos de mata-mata da Copa BR sinto saudades imensas daqueles tempos de finais eletrizantes nos certames nacionais, quando dois times chegavam ao jogo decisivo com chances de levantar a taça.
Nada substitui essa emoção que só as incertezas do futebol podem proporcionar ao torcedor. Nenhum outro esporte permite tamanha amplitude de possibilidades num simples jogo. A torcida paraense, ou parte dela, esteve até anteontem envolvida nesse roteiro imprevisível, por obra da boa campanha do Papão, que alcançou as oitavas-de-final da Copa.
Tarefa, diga-se, das mais difíceis desde que a competição passou a ter a participação dos clubes vindos da Taça Libertadores em flagrante prejuízo dos deserdados do mercado boleiro no país. Explico: antigamente, era possível que o Criciúma, o Juventude, Sport e o Paulista conquistassem o título. Hoje, com os grandões de volta, ficou complicado, daí a façanha alviceleste de chegar à quarta fase do torneio.
Mas o que me chamou atenção na super rodada de quarta-feira à noite foi a quase equânime redistribuição de lugares entre os menos aquinhoados da Série A. Não que eu esteja duvidando da veracidade dos jogos, todos disputados de maneira empedernida pelos times.
É que, por vias do acaso, o cambaleante Vasco viu-se triunfante sobre o Flamengo, o semi-emergente Palmeiras despachou o Cruzeiro, o Figueirense superou o Atlético-MG e o Santos passou pelo hiper mega poderoso Corinthians. Só não se fez justiça “social” com o Papão e o Ceará, garfado dentro de casa, mas aí já são outros quinhentos mil réis.
O desfecho da rodada ficou para a noite de ontem, quando o Internacional tinha tudo para confirmar a vaga diante do modesto Ituano, mas o fato indiscutível é que a Copa do Brasil já serviu pelo menos a um propósito: alegrar algumas torcidas que iriam passar os próximos meses apenas se lamuriando pelas desditas de seus clubes na Série A. Com alguma sorte, podem ter até mais emoções do que muitos medalhados que estão melhor posicionados no campeonato de pontos corridos.
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